Na passagem do romance de Machado de Assis, o amor é aprese...
Leia os textos para responder à questão.
Texto I
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos
de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos
onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso
excedia as raias de um capricho juvenil.
– Dessa vez, disse ele, vais para Europa; vais cursar uma
universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem
sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um
gesto de espanto: — Gatuno, sim senhor; não é outra cousa
um filho que me faz isto...
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Texto II
Ela deixou um bilhete, dizendo que ia sair fora
Levou meu coração, alguns CDs e o meu livro mais da hora
Mas eu não sei qual a razão, não entendi por que ela foi embora
E eu fiquei pensando em como foi e qual vai ser agora
É que pena, pra mim tava tão bom aqui
Com a nega mais teimosa e a mais linda que eu já vi
Dividindo o edredom e o filminho na TV
Chocolate quente e meus olhar era só pro cê
Mas cê não quis, eu era mó feliz e nem sabia
Beijinho de caramelo que recheava meus dia
(Luccas Carlos, Bilhete 2.0 [fragmento]. Em: https://www.letras.mus.br)
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Tema central: A questão investiga como o amor é representado no trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", relacionando a abordagem machadiana à ótica do Realismo literário – movimento marcado por crítica social e análise objetiva das relações humanas, com destaque para o papel do interesse financeiro.
Conceitos-chave: O Realismo se opõe ao idealismo romântico, retratando sentimentos e relações sem idealizações. Em Machado de Assis, é comum ver o amor sendo exposto em sua dimensão interesseira, influenciada por vantagens materiais e contextos sociais concretos, conforme aponta Antonio Candido em “Formação da Literatura Brasileira”.
Justificativa da alternativa correta (E): A alternativa E afirma que o amor é “uma vantagem pecuniária, que atende a apenas um dos lados da relação sentimental”. No trecho analisado, Brás Cubas associa o tempo do amor de Marcela diretamente à quantia gasta (“quinze meses e onze contos de réis”), sugerindo que o sentimento de Marcela estava atrelado ao benefício financeiro. Este enfoque reflete exatamente a crítica ao mercantilismo das relações afetivas feita pelos realistas, principalmente em Machado de Assis.
Análise das alternativas incorretas:
A) Errada. Sugere negociação deliberada por Brás Cubas, mas não há indício de que ele tenha comprado conscientemente o amor – apenas Marcela busca a vantagem.
B) Errada. Indica idealização juvenil do sentimento. O texto, porém, aborda o amor de modo realista, pragmático, sem idealizações.
C) Errada. Afirma que é relação proibida. No trecho, não há informações de proibição que aumentem o sentimento; o destaque é a relação interesseira.
D) Errada. Sugere disputa financeira bilateral. Só Marcela é beneficiada financeiramente; Brás Cubas apenas cede os recursos.
Estratégia de interpretação: Atenção aos termos numéricos (“quinze meses e onze contos de réis”), que denunciam o vínculo do afeto ao material. Fuja da armadilha de respostas que generalizam ou idealizam o sentimento, típicas do Romantismo, mas não do Realismo Machadiano.
Referências: Principais estudiosos como Candido e Bosi reforçam que o amor machadiano frequentemente aparece sob a ótica da crítica social e da influência do dinheiro, como explicitado nesta passagem.
Conclusão: Para questões sobre escolas literárias e autores realistas, busque sempre detalhes que revelem crítica de costumes, interesse material ou visão antirromântica. Assim, você reduz a chance de cair em pegadinhas da prova.
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Rápida contextualização:
Machado de Assis que escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas, pertence a escola literária do Realismo, cujo contexto social da época era da transição do Império para a Repúbica, trazendo uma perspectiva realista às diversas esferas da vida, rompendo com o Romantismo idealizador.
Alt E
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