No poema, o eu lírico
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.
[...]
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
Gabarito comentado
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Gabarito comentado – Literatura (Escolas Literárias / Poesia de Resistência)
Tema central: O poema analisado pertence à poesia de resistência, uma vertente literária que denuncia opressão, injustiças e violências políticas, especialmente em regimes autoritários como a ditadura militar brasileira. Nele, o eu lírico se apresenta como voz dos oprimidos, representando aqueles que sofreram perseguição, tortura e morte.
Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B está correta porque identifica o traço essencial do poema: o eu lírico emerge como resistência, simbolizando e dando voz aos que padeceram violências diversas. Expressões como “poeta dos mortos assassinados”, “torturados, desaparecidos” evidenciam esse posicionamento, ligando o poema à tradição da literatura de testemunho e denúncia. Utilizando a primeira pessoa, o sujeito lírico assume as dores dos perseguidos políticos, tornando-se coletivo, instrumento de memória e luta.
Estratégia para chegar à resposta:
Observe palavras-chave e o contexto histórico no poema (como “torturados”, “desaparecidos”, “crime”), que remetem à violência de Estado e à resistência. Em questões literárias, sempre busque alinhamento entre o tom do texto e o foco das alternativas.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Errada. Interpreta o sofrimento como uma questão existencial, ignorando a crítica social explícita do poema.
- C: Errada. Sugere aceitação ou justificativa da repressão, oposto ao tom de denúncia do texto.
- D: Errada. Apesar de um tom indignado, não há chamada direta à ação ou incitação do leitor, mas sim exposição das injustiças.
- E: Errada. O poema é totalmente engajado com a denúncia, não desvinculado dela.
Evite pegadinhas: Fique atento a generalizações (“toda sorte de sofrimento”, “independentemente da sociedade”), imperativos (incitação direta) e negações implícitas (arte desvinculada da denúncia). Sempre busque elementos textuais que comprovem a tese de cada alternativa.
Resumo para provas futuras: Em poemas de resistência, identifique o foco coletivo e político, analise o contexto histórico sugerido e desconfie de alternativas que universalizam valores, sem abordar os conflitos sociais apresentados.
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