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Ano: 2014 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: FAME Prova: FUNDEP - 2014 - FAME - Vestibular |
Q386698 História
“A atividade missionária nas áreas de mineração de ouro e de diamantes – os atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul – durante a primeira metade do século XVIII foi singular (...). Isto decorreu de políticas específicas desenvolvidas pela coroa. Foi necessário manter um controle rígido da exportação do ouro e diamantes para Portugal e de todo o comércio oficial, e o contrabando teve de ser erradicado”.

HOORNAERT, Eduardo. A Igreja Católica no Brasil colonial. In: BETHELL, Leslie, org. América Latina colonial. São Paulo: Edusp, 1998. p.560.

O resultado dessa política metropolitana para as áreas mineradoras foi a
Alternativas

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Tema central da questão: A questão aborda a política da Coroa Portuguesa para controle religioso nas áreas mineradoras do Brasil colonial (século XVIII), enfocando quem dominou as atividades religiosas nessas regiões sob política específica de restrição às ordens regulares.

Explicação teórica: Após a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, a Coroa viu a necessidade de manter rigoroso controle sobre a circulação de riquezas e pessoas. Para evitar o fortalecimento do poder autônomo das ordens religiosas regulares (como jesuítas e franciscanos), impôs restrições à sua atuação nas áreas mineradoras.

Isso gerou um contexto de hegemonia do clero secular (padres subordinados aos bispos e não a ordens) e de participação das chamadas ordens terceiras (leigos associados a ordens, mas em atividades religiosas e sociais sem vida reclusa). A justificativa histórica é que a Coroa poderia manter maior controle administrativo e político sobre o clero secular, evitando conflitos de interesse e contrabando promovido ou acobertado por agentes religiosos independentes.

Justificativa da alternativa correta (B): A hegemonia do clero secular e das ordens terceiras explica-se exatamente pela política de restrição às ordens regulares. Tal decisão visava impedir que essas ordens acumulassem terras e poder, característicos de suas missões em outras regiões, além de garantir que a atuação e fiscalização do Estado fosse direta e efetiva nas áreas mineradoras, onde estavam concentradas as riquezas estratégicas para a Coroa.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Não houve generalização da presença de ordens regulares nessas áreas, mas sim sua restrição deliberada.

C) Errada. A Coroa limitou, e não incentivou, a implantação de seminários e colégios jesuítas em zonas mineradoras para evitar o aumento de influência desses grupos.

D) Errada. Embora dominicanos e franciscanos existissem, eles não se proliferaram nem controlaram inspeções do Santo Ofício nas minas, pois a presença das ordens religiosas era restrita.

Estratégia para questões desse tipo: Repare bem em palavras como “presença generalizada”, “hegemonia” e “proliferação”. A alternativa correta costuma dialogar de forma precisa com o cenário político da época e evitar generalizações ou equívocos sobre o papel das ordens religiosas. Atenção também à diferença entre clero secular (submisso à Coroa) e ordens regulares (com autonomia e grande capital fundiário).

Referências para aprofundamento: Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil; Noemi Goldman (org.), História da Vida Privada no Brasil (vol. 1); Eduardo Hoornaert.

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Comentários

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Achei a questão bastante interessante, fugindo da tradicional propaganda ideológica rasteira que caracterizam os vestibulares. Quanto ao conteúdo em si, achei essas informações na Internet que podem auxiliar os estudantes: 


"A Coroa não via com bons olhos a presença do clero regular na região. Entendia que estes religiosos tinham representado um importante papel nos choques e desafios ao poder real. Agora, suspeitava que eram também responsáveis pelos desvios do ouro e dos diamantes para fora das capitanias.
Nos anos 20 do século XVIII, as ordens monásticas regulares - jesuítas, franciscanos, carmelitas - foram expulsas da capitania das Minas Gerais. Conventos e mosteiros não podiam ser erguidos na região.
Tal determinação incentivou o aparecimento das ordens religiosas leigas, que representavam grupos de uma sociedade caracterizada por intensa mestiçagem.
Nas décadas de 40 e 50 do século XVIII, os comerciantes ricos e outros "Grandes" integravam as ordens terceiras do Carmo e de São Francisco. Os pardos e pretos participavam de outras ordens como a da Nossa Senhora do Rosário (padroeira dos negros escravos e forros) e a de Nossa Senhora das Mercês, protetora dos mulatos.
A estratificação existente na sociedade mineradora reproduzia-se nestas corporações que competiam entre si devido à sua composição.
Por seu turno esta rivalidade desempenhava outro importante papel nas Gerais, patrocinando a construção de muitas igrejas e, estimulando a vida religiosa.
Muitas capelas e igrejas foram custeadas, erguidas e adornadas pelas irmandades. Ao clero cabia as funções especificamente religiosas como, por exemplo, o batismo, o casamento, além dos registros de nascimento e testamento. Construtores, arquitetos, marceneiros, mestres de obras, entalhadores, escultores, pintores e músicos formavam também, na região, uma geração responsável pelo desenvolvimento da arquitetura, das artes plásticas e da música."

Fonte: http://filosofandoehistoriando.blogspot.com/2009/05/as-ordens-terceiras.html

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