A configuração que o tema do amor recebe, nos versos do exc...

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Q583426 Literatura

                                                        [4]

                             Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

                             que viva de guardar alheio gado,

                             de tosco trato, de expressões grosseiro,

                             dos frios gelos e dos sóis queimado.

                             Tenho próprio casal(1) e nele assisto(2) ;

                             dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

                             das brancas ovelhinhas tiro o leite,

                             e mais as finas lãs, de que me visto.

                             Graças, Marília bela,

                             graças à minha estrela!

                                             (...)

                                              [5]

                            Tu não verás, Marília, cem cativos

                             tirarem o cascalho e a rica terra,

                             ou dos cercos dos rios caudalosos,

                             ou da minada serra.

                             Não verás separar ao hábil negro

                             do pesado esmeril a grossa areia,

                             e já brilharem os granetes de oiro

                             no fundo da bateia(3) .

                                                        (...)

                             Não verás enrolar negros pacotes

                             das secas folhas do cheiroso fumo;

                             nem espremer entre as dentadas rodas

                             da doce cana o sumo.

                             Verás em cima da espaçosa mesa

                             altos volumes(4)de enredados feitos;

                             ver-me-ás folhear os grandes livros,

                             e decidir os pleitos.

                             Enquanto revolver os meus consultos,

                             tu me farás gostosa companhia,

                             lendo os fastos da sábia, mestra História,

                             e os cantos da poesia.

                                                Tomás A. Gonzaga, Marília de Dirceu.

Glossário:

(1)casal: pequena propriedade rural.

(2)assisto: resido, moro.

(3)bateia: utensílio empregado no garimpo; espécie de gamela.

(4)altos volumes: referência a processos judiciais, pois o poeta era magistrado.  

A configuração que o tema do amor recebe, nos versos do excerto,
Alternativas

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Gabarito: C

Tema central: A questão avalia a compreensão da configuração do amor na obra árcade "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, e sua diferença em relação a outros movimentos literários.

Explicação Didática:

No Arcadismo, o amor é tratado de forma equilibrada, simples e bucólica, em meio à vida no campo, em oposição aos excessos do Barroco. O sentimento ganha contornos de harmonia, racionalidade e contentamento, como visto nos versos da questão. O Romantismo, por sua vez, apresentará uma forma de amor absoluta, idealizada e até sofrida, na qual o sentimento se torna o centro da existência, algo sublime e inalcançável.

Justificativa – Alternativa C:
A resposta correta identifica o contraste entre o amor árcade (harmonioso, inserido no cotidiano do campo) e o amor romântico (absoluto e idealizado). Note que Gonzaga destaca uma vida simples, feliz, em que o amor é possível e realiza-se em meio à rotina, enquanto no Romantismo é comum o tema do amor impossibilitado, trágico ou transcendental. Isso mostra visões opostas do mesmo sentimento.

Análise das alternativas incorretas:

A) O Indianismo de José de Alencar retoma temas nacionais e indígenas, mas não aprofunda o amor bucólico e pastoral como em Gonzaga.

B) Naturalismo trabalha o amor como fenômeno biológico, fisiológico, e não como um ideal simples e sereno.

D) O Modernismo introduz certa "banalização" do amor, com abordagem cotidiana e irônica, mas isso não aparece em "Marília de Dirceu".

E) O Realismo, como em Machado de Assis, trata de relações desencantadas e materialistas, diferente do ideal bucólico do Arcadismo.

Dica de prova: Atente-se à palavra “contrasta”; ela indica oposição entre ideias apresentadas, fundamental para o acerto nesta questão.

Resumo: O amor árcade é simples e possível, enquanto o romântico é ideal e absoluto. Entender esses contrastes de época é essencial para a banca.

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Comentários

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"De caráter autobiográfico, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) escreveu essa obra inspirado na sua própria história de amor.

Conheceu sua musa inspiradora quando estava morando e trabalhando como Ouvidor Geral na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Seu nome era Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão.

Chegaram a ficar noivos, entretanto, Tomás foi acusado de conspiração, uma vez que estava envolvido com o movimento da .

Sendo assim, ele foi preso e exilado na África, se afastando de sua amada. Nesse tempo, escreveu a obra que o consagraria."

Não consegui entender porque contrasta com o "amor absoluto" se o poeta continuou pensando nela por tanto tempo...

https://www.todamateria.com.br/marilia-de-dirceu/#:~:text=As%20liras%20de%20Mar%C3%ADlia%20de,ao%20lado%20de%20sua%20amada.

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