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Ano: 2010 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2010 - UECE - Vestibular - Geografia e História - 2ª fase |
Q1308407 História
“Não resta dúvida que de 1930 a 1964 o que se convencionou chamar genericamente de oligarquia permaneceu imbricada nos centros de poder e sua inserção nada teve de incompatível com a direção industrializante então assumida.”
(CAMARGO, Aspásia de Alcântara. A Questão Agrária, crise de poder e Reformas de Base. In FAUSTO, Boris. História Geral da Civilização Brasileira – O Brasil Republicano (Sociedade e Política) 1930-1964. Rio de Janeiro: Editora Bertand Brasil, 1991, p 123-127.)
Considerando o papel desempenhado pelas oligarquias brasileiras no período acima citado.

I. O que os estudiosos brasileiros chamam genericamente de oligarquia se expressa por sua dupla referência: monopólio da terra e controle do voto.
II. Do ponto de vista político, as oligarquias souberam flexibilizar e permitir a formação de um centro estabilizador para acolher e implementar medidas que só a longo prazo minariam a hegemonia agrária.
III. A consolidação de um parque industrial e financeiro teve como contrapartida a garantia do monopólio da terra e o controle das populações rurais pelos grupos oligárquicos.

É correto o que se afirma
Alternativas

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Resposta correta: D — em I, II e III.

Tema central: o papel das oligarquias brasileiras entre 1930–1964 — sua base social (monopólio fundiário), seu poder político (controle do voto e clientelismo) e sua relação com o processo de industrialização/financeirização.

Resumo teórico e contexto: as oligarquias rurais (coronéis, elites agrárias) detinham terras e controle político local por meio do coronelismo e de práticas eleitorais clientelistas. Entre 1930 e 1964, o Estado passou a promover a industrialização (substituição de importações) e políticas econômicas que exigiam coalizões políticas. As oligarquias não foram simplesmente derrotadas: adaptaram‑se, integraram‑se ao novo centro de poder e continuaram a influir sobre a sociedade rural.

I — Verdadeiro. Historicamente, a definição clássica de oligarquia agrária no Brasil inclui o monopólio da terra e o controle do voto (coronelismo, clientelismo). Fontes: Camargo em Fausto (1991); obras sobre coronelismo.

II — Verdadeiro. Politicamente, as oligarquias revelaram capacidade de flexibilização: apoiaram regimes e programas (ex.: políticas varguistas e elites estaduais) que criaram um “centro estabilizador” — o Estado intervir para industrializar — medidas que, a médio/longo prazo, corroeriam parcialmente a hegemonia agrária (urbanização, nova base social do trabalho).

III — Verdadeiro. A formação de um parque industrial e de setores financeiros não significou automática extinção das oligarquias. Pelo contrário, houve convívio: enquanto setores industriais e financeiros cresciam, as elites agrárias preservaram o monopólio fundiário e o controle sobre populações rurais, mantendo influência política e social.

Por que as alternativas A, B e C estão incorretas:

A (I e III) — Erra por excluir II, que é verdadeira: as oligarquias foram suficientemente pragmáticas para sustentar o novo centro político que impulsionou a industrialização.

B (I e II) — Erra por excluir III, que também é verdadeira: o avanço industrial/financeiro conviveu com a manutenção do monopólio fundiário.

C (apenas I) — Redução indevida: subestima a capacidade de adaptação política (II) e a relação complexa entre industrialização e persistência oligárquica (III).

Estrategia de prova: busque termos-chave no enunciado (oligarquia = terra + voto; indústria x agrário) e verifique se cada proposição trata de continuidade, adaptação ou contradição. Desconfie de alternativas que excluem relações de causa/efeito de longo prazo.

Fontes: Camargo (cap. em Fausto, História Geral da Civilização Brasileira — O Brasil Republicano, 1930–1964); leituras complementares sobre coronelismo e ISI (por exemplo, trabalhos de Boris Fausto e historiadores do período).

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