“A valorização do modelo da fábrica higiênica marca o despo...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2010 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2010 - UECE - Vestibular - Geografia e História - 2ª fase |
Q1308405 História
“A valorização do modelo da fábrica higiênica marca o despontar da mudança para um novo regime disciplinar, que pretende tornar o espaço da produção tranquilo, agradável, limpo e atraente para o trabalhador”.
(RAGO, Margareth. Do Cabaré ao Lar: a utopia da cidade disciplinar. Brasil 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985, p 37-39.)
De acordo com o excerto acima, analise os preceitos estabelecidos pela Saúde e pela Higiene em princípios do século XX, quanto aos espaços fabris.

I. o espaço da produção limpo e agradável em contraposição aos espaços apertados, escuros e anti-higiênicos objetivavam fazer com que o trabalhador se sentisse um cidadão respeitado e assim, trabalhasse com mais disposição.
II. a inobservância das normas higiênicas exigidas pelo Serviço Sanitário no espaço fabril não constituía um problema nos estabelecimentos fabris dos primeiros anos do século XX no Brasil.
III. espaços insalubres, onde os trabalhadores amontoavam-se, contraindo doenças ou sofrendo acidentes eram também vistos como propiciadores de conflitos pelos inspetores públicos.

É correto o que se afirma
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Resposta correta: C — apenas I e III

Tema central: trata-se da reforma higienista e do papel da Saúde Pública e da Higiene industrial no Brasil do início do século XX: a valorização da “fábrica higiênica” visava disciplinar o trabalho, aumentar produtividade e prevenir doenças, ligando moralidade, ordem e eficiência.

Resumo teórico: a partir das políticas sanitárias (movimento sanitário liderado por figuras como Oswaldo Cruz e pela expansão de inspetorias) desenvolveu‑se uma crítica às oficinas insalubres. O ideal da fábrica limpa/arejada e do controle de jornadas e espaços tinha duplo objetivo: saúde pública e disciplinamento social — ideia destacada por Margareth Rago (Do Cabaré ao Lar, 1985).

Justificativa da alternativa C:

  • I — Verdadeira: ambientes arejados, iluminados e “agradáveis” eram promovidos para que o trabalhador se sentisse tratado como cidadão e, assim, trabalhasse com mais disposição — princípio explícito das campanhas higienistas e dos projetos patronais de modernização.
  • III — Verdadeira: inspetores sanitários e autoridades viam espaços insalubres não só como fontes de doenças e acidentes, mas também como geradores de conflitos e desordem social (greves, protestos), justificando intervenções e fiscalizações.
  • II — Falsa: a afirmação de que a inobservância das normas não constituía problema é incorreta. Ao contrário, a resistência às normas e as condições precárias eram alvo de políticas, multas e inspeções — era um problema público e trabalhista.

Análise das alternativas incorretas:

  • A (I, II e III): incorreta porque inclui II, que é falsa.
  • B (II e III): incorreta porque assume II verdadeira; ignora o papel fiscalizador e sancionador das autoridades sanitárias.
  • D (apenas I): incorreta porque descarta III, que é verdadeira e central para a leitura das fontes da época.

Dica de interpretação para provas: atenção a negações absolutos (“não constituía um problema”). Conecte enunciado ao contexto histórico (políticas sanitárias, inspeções, discurso modernizador) para avaliar cada proposição.

Fontes consultadas: Margareth Rago, Do Cabaré ao Lar (1985); estudos sobre o movimento sanitário brasileiro e inspeção industrial no início do século XX (obra de referência sobre Oswaldo Cruz e políticas públicas de saúde).

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo