“Última cruzada da Cristandade mediterrânea”, segundo Ferna...
(VALENSI, L. Fábulas da memória: a batalha de Alcácer Quibir e o mito do sebastianismo. Trad. Maria Helena F. Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.p.14).
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Alternativa correta: C
Tema central: trata-se da Batalha de Alcácer‑Quibir (4 de agosto de 1578), evento chave para entender a crise dinástica e o imaginário português do final do século XVI. É necessário saber data, protagonistas e consequências políticas (morte de D. Sebastião, crise sucessória, avanço do mito do sebastianismo).
Resumo teórico: a expedição portuguesa ao Marrocos visava restaurar um príncipe marroquino deposto e reforçar a influência lusitana. No confronto morreram três líderes — o rei de Portugal (D. Sebastião), o sultão marroquino legítimo (Abd al‑Malik) e o pretendente apoiado por Portugal (Abu Abdallah Mohammed) — razão pela qual a batalha ficou conhecida como a “batalha dos três reis”. O desastre gerou vazio de poder que culminou, em 1580, na crise que levou à União Ibérica (domínio de Filipe II de Espanha) e alimentou o mito do sebastianismo em Portugal.
Fontes essenciais: Fernand Braudel, The Mediterranean and the Mediterranean World in the Age of Philip II; L. Valensi, Fábulas da memória: a batalha de Alcácer Quibir e o mito do sebastianismo (tradução citada no enunciado). Para revisão sintética: capítulos sobre Portugal no século XVI em manuais de História Moderna.
Justificativa da alternativa C: a alternativa descreve corretamente os três protagonistas: o rei português (D. Sebastião), o sultão que defendia o trono marroquino (Abd al‑Malik) e o príncipe que reivindicava o trono com apoio português (Abu Abdallah Mohammed). Esse fato é a explicação histórica do apelido “batalha dos três reis” — portanto, C é a resposta correta.
Análise das incorretas:
A: afirma que alimentou os imaginários português e africano. Embora a batalha tenha gerado mitos, o termo “fábula épica” e a ênfase num imaginário africano amplo são imprecisos: o mito mais persistente foi o sebastianismo português; a leitura “africana” como imaginário coletivo homogêneo é anacrônica.
B: diz que Portugal “se livrou do domínio de Filipe II”. Errado: a derrota provocou a crise que, em 1580, facilitou a sucessão de Filipe II de Espanha ao trono português (União Ibérica), ou seja, intensificou o domínio filipino sobre Portugal.
D: sustenta que a derrota não influenciou o surgimento do sebastianismo. Falso: a perda de D. Sebastião (sem herdeiros) foi justamente o motor do mito messiânico que esperava o retorno do rei — o sebastianismo nasce diretamente desse vácuo.
Dica de resolução para provas: identifique palavras‑chave históricas (datas, “três reis”, sebastianismo, Filipe II). Relacione rapidamente causa → efeito (derrota → vácuo dinástico → mito/União Ibérica). Desconfie de alternativas que ampliam além do fato histórico (ex.: “alimentou o imaginário africano” sem especificar) ou que invertam consequências (afirmando que não houve influência sobre o sebastianismo).
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A Batalha de Alcácer Quibir (1578) foi o evento catastrófico que selou o destino de Portugal no século XVI, dando origem ao sebastianismo, um dos mitos mais profundos da identidade portuguesa;
A Batalha de Alcácer Quibir (4 de agosto de 1578)
O jovem rei D. Sebastião, movido por um ideal de cruzada cristã e o desejo de restaurar a glória portuguesa, liderou uma expedição militar ao Norte de África para intervir em uma disputa sucessória no Marrocos.
- O Desfecho: As tropas portuguesas foram cercadas por um exército marroquino numericamente superior. Em poucas horas, o exército luso foi dizimado: cerca de 9.000 mortos e 16.000 capturados.
- O Mistério: D. Sebastião desapareceu no campo de batalha e seu corpo nunca foi identificado com clareza, o que gerou incerteza sobre sua morte.
- Consequência Política: Como o rei não deixou herdeiros, Portugal enfrentou uma crise sucessória que culminou na União Ibérica (1580-1640), período em que o país foi governado pelos reis de Espanha.
O Mito do Sebastianismo
O sebastianismo é uma crença messiânica e providencialista baseada na esperança do retorno de D. Sebastião para libertar Portugal e inaugurar uma era de prosperidade.
- Origem: A recusa do povo em aceitar a morte do rei e a perda da independência para a Espanha alimentaram a lenda de que ele estaria "encoberto", esperando o momento certo para regressar "numa manhã de nevoeiro".
- Fundamentos Proféticos: O mito foi reforçado pelas trovas do sapateiro Bandarra, que já previam a vinda de um "Encoberto" salvador.
- Expansão: O sebastianismo transcendeu Portugal e chegou ao Brasil, influenciando movimentos messiânicos como Canudos e o Contestado, onde a figura do rei era vista como um redentor dos oprimidos
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