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A acumulação flexível, como vou chamá-la, é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças de padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores como no chamado ‘setor de serviços’, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas. A acumulação flexível foi acompanhada na ponta do consumo, portanto, por uma atenção muito maior às modas fugazes e pela mobilidade de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural que isso implica. A estética relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar a todo o fermento, instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pósmoderna que celebra a diferença, a efemeridade, o espetáculo, a moda e a mercadificação de formas culturais.
HAVEY, David. Condição pós-moderna. 3. ed. São Paulo: Loyola, 1993. p. 140-148. [Adaptado].
Analisando a sociedade de forma panorâmica, verifica-se que a “acumulação flexível” é um processo ladeado por múltiplas determinações sociais, alcançando um âmbito para além do trabalho e da produção industrial. Nesse sentido, a sociedade, na qual a “acumulação flexível” é implementada, compreende também os seguintes aspectos:
Gabarito comentado
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Resposta correta: E
Tema central e relevância: A questão trata da acumulação flexível — conceito ligado ao fim do fordismo e às transformações do mundo do trabalho e da economia (“pós‑fordismo”/neoliberalismo). É essencial para provas de sociologia e políticas públicas identificar como mudanças organizacionais e de consumo se articulam com mudanças do Estado e das políticas econômicas.
Resumo teórico (claro e progressivo): Acumulação flexível descreve um padrão produtivo baseado em inovação constante, nichos de mercado, terceirização, trabalho precarizado e rápida rotatividade de produtos e estilos (Harvey, 1993; Piore & Sabel, 1984). Politicamente, esse padrão costuma caminhar junto de políticas neoliberais: desregulação, privatizações, enfraquecimento de direitos trabalhistas e menor intervenção estatal na economia (Harvey, 2005).
Por que a alternativa E é correta: A alternativa E descreve um Estado neoliberal com redução de direitos trabalhistas, privatizações e baixa intervenção — conjunto que acompanha a lógica da acumulação flexível exposta no texto (mobilidade de mercados, intensificação de inovação, precarização do trabalho). A menção à repressão policial a movimentos sociais também é coerente com respostas autoritárias frente a conflitos gerados pela desregulamentação.
Análise das alternativas incorretas:
A — Refere-se a modo de produção pré‑capitalista (servos/senhor, mercantilismo). Não dialoga com a modernidade industrial ou pós‑industrial do texto.
B — Mistura elementos positivos (redução da jornada; ampliação de direitos) típicos do fordismo/Estado de bem‑estar social, não do período de acumulação flexível associado à periferização dos direitos.
C — Descreve o capitalismo industrial clássico do século XIX (jornadas longas, trabalho infantil, democracia censitária). É anterior ao pós‑fordismo e não capta a lógica de flexibilização e desregulação contemporânea.
D — Caracteriza o Estado de bem‑estar e a economia fordista (produção e consumo em massa, forte intervenção estatal); é o paradigma que a acumulação flexível rompeu.
Estratégia prática para provas: identifique palavras‑chave do enunciado (ex.: “flexível”, “novos mercados”, “precariedade”, “moda efêmera”), faça o mapa temporal (pré‑capitalismo → fordismo → pós‑fordismo/neoliberalismo) e elimine alternativas que descrevem regimes claramente anteriores ou opostos (welfare state ou modos pré‑industriais).
Fontes úteis: DAVID HARVEY, Condição pós‑moderna (1993); DAVID HARVEY, A Brief History of Neoliberalism (2005); PIORE & SABEL, The Second Industrial Divide (1984).
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