No texto, o autor afirma que a imagem do novo trabalhador:

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Ano: 2010 Banca: IFG Órgão: IF-GO Prova: IFG - 2010 - IF-GO - Vestibular - Prova 2 |
Q1273618 Português
Leia o texto 2 a seguir para responder a questão.

TEXTO 2

Polivalência: do mito... para a realidade

   A modernidade, ao flexibilizar a divisão de tarefas no interior dos processos produtivos, estaria cumprindo com o papel de substituir o desqualificado e descomprometido “apertador de parafusos” por um funcionário que pensa e molda seu próprio emprego, à medida em que é chamado a experimentar novos métodos de trabalho capazes de garantir ao mesmo tempo a sua realização pessoal e o crescimento da empresa. Desta forma, graças à polivalência, o ser humano estaria deixando de ser um mero apêndice das máquinas para reencontrar no trabalho o caminho de sua própria humanização.  
     Mas será que é isso mesmo? Com a polivalência, o capital estaria mesmo abrindo mão da crescente submissão do homem à máquina que, aliás, é um dos elementos que lhe garantem a progressiva exploração da força de trabalho? A polivalência que tem sua origem na flexibilização e na automação dos processos produtivos estaria gerando uma maior qualificação do trabalhador coletivo? 
    O novo trabalhador, a ser moldado de acordo com as necessidades dos sistemas informatizados, teria que ser jovem, polivalente, sem tradição de luta, com estudos que lhe fornecessem conhecimentos gerais mais amplos (o segundo grau, por exemplo) ou, no limite, as noções técnicas básicas que podem ser assimiladas através dos cursos de SENAI. 
      Ou seja, o perfil da grande maioria dos trabalhadores, que do final da década de 80 até os nossos dias começam a compor o quadro de funcionários das grandes empresas, tem como traços fundamentais a ausência de uma militância política e de uma qualificação efetiva, ao lado de uma bagagem de conhecimentos que serve apenas para proporcionar-lhes uma leitura rápida e segura das informações que aparecem nos sistemas de controle dos equipamentos automatizados e para garantir uma rápida operacionalização das ordens recebidas.
      Se tivermos que descrever em poucas palavras o perfil de um trabalhador polivalente, diríamos que ele não passa de um “pau pra toda obra” que, diante do aumento do desemprego e da ameaça constante que isso traz à manutenção de suas condições de vida, percebe uma sensação de alívio ao aderir, ora ativa ora passivamente, aos objetivos e aos limites impostos pela lógica das mudanças no interior do sistema capitalista. Lógica que tem na polivalência e na flexibilização dos processos de trabalho dois importantes instrumentos para ocultar a continuidade histórica da necessidade da classe dominante ir adequando a organização do trabalho às exigências da acumulação do capital e para apagar nas classes trabalhadoras a memória coletiva de sua tradição de lutas e, com ela, a necessidade de construir uma nova ordem social.
(GENNARI, Emílio. Automação, Terceirização e Programas de Qualidade Total: os fatos e a lógica das mudanças nos processos de trabalho. São Paulo: CPV, 1997. Adaptado)  
No texto, o autor afirma que a imagem do novo trabalhador:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A base textual decisiva é a descrição do novo trabalhador como alguém com “ausência de uma militância política e de uma qualificação efetiva”, cuja bagagem de conhecimentos serve apenas para leitura rápida das informações dos sistemas automatizados e para a operacionalização de ordens. Esse recorte sustenta, de forma direta, a alternativa E.

Tema central: imagem do trabalhador
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a alternativa fala em “sólida competência profissional”, enquanto o texto afirma exatamente o contrário: há “ausência de uma qualificação efetiva” e, no limite, somente “noções técnicas básicas”. A formulação da alternativa inverte o valor semântico da caracterização feita pelo autor.
B
Errada
Está errada porque o texto não atribui à educação para o trabalho um sentido formativo amplo; ele critica uma preparação mínima e instrumental. A bagagem de conhecimentos serve “apenas” para ler informações dos sistemas e operacionalizar ordens, o que exclui a ideia de formação assegurada como valor educacional.
C
Errada
Está errada por dois motivos textuais objetivos: o texto não menciona interesse pessoal de qualificação e também não fala em “todas as faixas etárias”. Ao contrário, especifica que o trabalhador “teria que ser jovem”. A alternativa generaliza e desloca o sentido do trecho.
D
Errada
Está errada porque contradiz frontalmente a conclusão do texto. O autor afirma que a lógica da polivalência contribui para “apagar nas classes trabalhadoras a memória coletiva de sua tradição de lutas e, com ela, a necessidade de construir uma nova ordem social”. Portanto, não há garantia de realização de iniciativas políticas; há enfraquecimento dessa possibilidade.
E
Certa
A alternativa E está correta porque traduz com fidelidade a avaliação do autor sobre o perfil exigido pelos sistemas produtivos. O texto não apresenta um trabalhador altamente qualificado, mas alguém com formação limitada ao funcionamento operacional dos sistemas automatizados. Isso fica claro tanto na expressão “ausência de uma qualificação efetiva” quanto no advérbio “apenas”, que restringe a bagagem de conhecimentos à leitura rápida de informações e à execução de ordens. A imagem construída é, portanto, a de baixa qualificação exigida de modo funcional e superficial.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a aparência positiva de termos como “polivalência” e “novo trabalhador” e a posição real do autor, que é crítica. O início do texto apresenta o mito da valorização profissional, mas os parágrafos seguintes o desmontam e mostram qualificação restrita, instrumental e precária.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o texto apresenta uma ideia inicial apenas para depois refutá-la; não confunda voz introduzida com posição final do autor.
  • Quando o texto trouxer expressões restritivas como “apenas”, observe o rebaixamento do alcance semântico da informação.
  • Confronte palavras aparentemente positivas da alternativa com trechos avaliativos do texto, como “ausência de uma qualificação efetiva”.

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