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Q1797666 Conhecimentos Gerais
O surto de crescimento, que começou em 1968, lembra o do Plano de Metas de JK, que durou de 1957 a 1962, mas com uma importante diferença: no boom dos anos 50, a inflação subiu de 23,89% em 1957 para 55,04% em 1962, ao passo que no surto da década seguinte a inflação caiu de 23,63% em 1968 para 14,66% em 1973. Este fato fez com que se começasse a falar de “milagre econômico brasileiro”.
(Paul Singer. “O processo econômico”. In: Daniel Aarão Reis (coord.). Modernização, ditadura e democracia: 1964-2010, vol. 5, 2014. Adaptado.)
Um dos motivos para essa contenção inflacionária durante o “milagre” foi
Alternativas

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Alternativa correta: A — a fixação dos reajustes salariais pelo governo.

Tema central: por que a inflação caiu no chamado “milagre econômico” (1968–1973). Para responder é preciso entender noções básicas de inflação (pressões de demanda, custos e inércia) e as políticas macroeconômicas capazes de contê‑la, em especial a política de rendas (controle de salários e preços).

Resumo teórico curto: inflação pode ser gerada por excesso de demanda, choques de custos ou por indexação e expectativas. Uma forma direta de reduzir inflação por tempo curto/médio é a contenção de salários e preços (política de rendas), somada a políticas fiscal e monetária restritivas e ganhos de produtividade. No Brasil, a repressão salarial foi central para reduzir a inércia inflacionária no período (ver Paul Singer; estudos sobre a economia brasileira dos anos 60/70).

Por que a alternativa A está correta: o governo militar adotou mecanismos de controle de reajuste salarial e negociações coletivas centralizadas, limitando o repasse de ganhos salariais para preços. Essa fixação ou forte regulação dos reajustes interrompeu parte da dinâmica inflacionária por indexação, reduzindo a pressão de custos e expectativas, contribuindo para a queda da inflação entre 1968 e 1973 (fonte: Paul Singer; análises históricas sobre o “milagre”).

Análise das alternativas incorretas

B — controle da taxa de juros em nível estadual: incorreto. Política de juros é competência da política monetária federal. Juros estaduais não têm papel macroeconômico relevante na contenção inflacionária nacional.

C — aumento do déficit na balança comercial: errado. Déficit comercial tende a pressionar a moeda e a inflação (por câmbio e custos), não a reduzir a inflação. O “milagre” contou com superávits e/ou ingresso de capital estrangeiro, não com déficit crescente como causa de queda de preços.

D — proibição da entrada de transnacionais: falso. O período foi marcado por atração de capital estrangeiro e investimento industrial; não houve proibição generalizada que explicasse a queda inflacionária.

E — diminuição do crédito para a construção civil: implausível como causa principal. O crescimento do período foi fortemente associado a investimento e expansão do crédito em setores estratégicos; redução do crédito residencial não explica a queda generalizada da inflação.

Dica de prova: ao buscar causa de contenção inflacionária, priorize alternativas que indiquem controle direto das variáveis de renda/expectativa (salários, preços, indexação). Elimine distrações que sejam de competência errada (estadual vs. federal) ou que logicalmente agravariam a inflação.

Fontes sugeridas: Paul Singer, “O processo econômico”; relatórios históricos sobre política econômica brasileira (Banco Central; estudos de economia do desenvolvimento).

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