O culto aos orixás pelos afro-brasileiros foi proibido duran...

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Ano: 2011 Banca: CCV-UFC Órgão: UFC Prova: CCV-UFC - 2011 - UFC - Casas de Cultura Estrangeira - Primeiro Semestre |
Q1394556 Conhecimentos Gerais
O culto aos orixás pelos afro-brasileiros foi proibido durante séculos no Brasil. No entanto, sabe-se que, entre as formas de resistência à dominação, os escravos mantiveram suas práticas religiosas dando aos seus deuses os nomes dos santos católicos. No Brasil, tais práticas, entre outras, permitiram:
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Resposta: Alternativa A

Tema central: práticas religiosas afro-brasileiras e a estratégia de resistência cultural durante a escravidão. A pergunta exige entender como a ocultação dos cultos (através da nomeação dos orixás como santos católicos) influenciou a religião no Brasil.

Resumo teórico: o sincretismo religioso é o processo pelo qual elementos de religiões distintas se combinam. No Brasil colonial e imperial, escravizados usaram a identificação dos orixás com santos católicos como estratégia para preservar rituais e crenças diante da proibição e da perseguição. Exemplos prituais: Oxalá associado a Jesus/Cristo, Iemanjá a Nossa Senhora, Xangô a São Jerônimo/São João em diferentes crenças locais.

Fontes e referências: estudos clássicos e etnográficos (Pierre Verger; Reginaldo Prandi) e a proteção constitucional à liberdade religiosa (Constituição Federal de 1988, art. 5º, que garante liberdade de crença). Esses autores e normas ajudam a contextualizar a persistência e a transformação das religiões afro-brasileiras.

Por que a alternativa A está correta: ao dar aos orixás nomes de santos, os escravos integraram elementos católicos e africanos numa mesma prática religiosa — processo típico de sincretismo. Essa mistura cultural permitiu que rituais e crenças sobrevivessem e se organizassem em formas sincréticas reconhecíveis hoje (ex.: Candomblé e Umbanda apresentam traços sincréticos em diversas manifestações).

Por que as outras alternativas são incorretas:

  • B (desaparecimento das religiões africanas) — incorreto: foi exatamente o contrário; as religiões africanas sobreviveram e se transformaram, graças a estratégias como o sincretismo.
  • C (transformação do Brasil em estado laico) — incorreto: o caráter laico do Estado brasileiro decorre de processos políticos e constitucionais (ex.: separação formal entre Igreja e Estado na República, constituição de 1891; CF/1988 reafirma laicidade), não da prática religiosa sincrética dos escravizados.
  • D (perda do poder da Igreja católica desde fins do séc. XIX) — incorreto/mera simplificação: a influência da Igreja variou por razões políticas e sociais; a sobrevivência de cultos afro-brasileiros não significa, por si só, perda de poder institucional da Igreja desde o séc. XIX.
  • E (aumento das comunidades pentecostais ao longo do séc. XX) — incorreto: o crescimento pentecostal é fenômeno posterior e ligado a dinâmicas de urbanização, mobilização religiosa protestante e fatores sociais do século XX; não é consequência direta da ocultação dos orixás como santos.

Estratégia de prova: ao ler o enunciado, identifique palavras-chave — "dar nomes dos santos católicos", "formas de resistência" — que apontam para mistura/ocultamento cultural. Elimine alternativas que ligam causalidades históricas distintas (instituição do Estado laico, crescimento pentecostal) ou fazem afirmações absolutas divergentes do contexto.

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Comentários

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As características da colonização portuguesa deram origem ao sincretismo religioso brasileiro.

Um dos objetivos das grandes navegações era cristianizar os povos que fossem encontrados nos novos territórios. Desta maneira, os indígenas foram os primeiros a serem catequizados.

A fim de explicar-lhes a doutrina cristã, os padres jesuítas utilizavam elementos culturais indígenas. Isto deu origem, por exemplo, a lendas inventadas pelos religiosos que foram incorporadas ao repertório indígena, como a do Aó-aó.

Os negros africanos escravizados passaram pelo mesmo processo, que deram origem ao candomblé, religião afro-brasileira. Ao chegar na colônia reviveram seus rituais, símbolos e festas que faziam na África, porém adaptando-as à realidade da América. Um exemplo seriam as oferendas aos orixás que passaram a incorporar alimentos locais.

Além disso, intimidados pelos castigos, muitas pessoas escravizadas abraçavam a religião católica aparentemente, mas mantinham o culto a seus orixás. Assim começou a identificação entre os santos católicos e orixás, as procissões do padroeiro com as festas para suas divindades, entre outras práticas.

GABARITO (A)

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