A poesia de Carlos Drummond de Andrade se caracterizou desd...

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Ano: 2009 Banca: UFAC Órgão: UFAC Prova: UFAC - 2009 - UFAC - Vestibular - PRIMEIRO DIA – CADERNO 1 |
Q1375055 Literatura
Observe o parágrafo abaixo:


“O ex-prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto Bejani é mesmo um fenômeno. Em pleno Brasil do ano de 2008, onde tão pouca gente chega a se meter em algum problema mais sério, de verdade, por cometer atos de delinqüência na vida pública, ele conseguiu ser preso duas vezes seguidas, entre abril e junho. Para começar, deixou-se pegar em flagrante, naquele tipo de cena que hoje em dia se tornou um clássico da nossa política: recebendo pacotes de dinheiro vivo, em valor um pouco acima de 1,1 milhão de reais, numa gravação com imagem e som. Ficou catorze dias na cadeia e foi solto, como acontece sempre: e, como acontece sempre, tudo deveria ir acabando por aí. Neste caso, porém, nem mesmo a incomparável proteção que as leis e a justiça brasileira oferecem a gente como o exprefeito foi suficiente para mantê-lo solto. O documento que ele apresentou para justificar a origem do dinheiro – a já tradicional venda de uma ‘fazenda’, variante da venda de bois, cavalos etc. – foi considerado falso. Diante de sua absoluta falta de cuidado com o que dizia enquanto era gravado, ficou claro que o dinheiro lhe fora entregue em troca da concessão de diversos aumentos no preço das passagens municipais de ônibus. Contra todas as expectativas, o homem teve de voltar ao presídio.” (GUZZO, J. R. Agravo x embargo. Veja, São Paulo, 25 jun. 2008. Seções, p. 140) 
A poesia de Carlos Drummond de Andrade se caracterizou desde o início por uma postura de deslocamento em relação ao mundo. No poema “José”, é inevitável a percepção de um esgotamento, de uma finitude de valores vivida ao extremo (E agora José?), porque nesse caso:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, a partir de “E agora, José?” e da indicação de “esgotamento” e “finitude de valores”, que José funciona como figura exemplar e universal da condição humana em crise; por isso, a alternativa correta é a que identifica no personagem a representação dos limites do homem diante de forças que o excedem.

Tema central: universalização de José
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui ao sujeito lírico uma postura prescritiva, como se houvesse ordens e resoluções a cumprir. A base afirma o contrário: no poema há ausência de tom prescritivo. A repetição interrogativa dramatiza a falta de saída, não impõe mandamentos nem condiciona a preservação da condição humana ao cumprimento de ações.
B
Certa
A alternativa B está correta porque traduz o núcleo conceitual do poema: José ultrapassa a condição de personagem particular e passa a representar o homem moderno diante da perda de referências, da solidão e da impotência existencial. A pergunta recorrente “E agora, José?” não propõe solução nem censura pessoal; ela dramatiza um impasse radical. Por isso, a marca de universalidade e a ideia de limites humanos diante de forças inexoráveis correspondem à leitura técnico-literária indicada na base.
C
Errada
Está errada porque transforma o deslocamento entre personagem e mundo em separação protetora, sem contaminação. O critério correto é outro: o poema evidencia choque, inadequação e desamparo diante de um mundo esvaziado. Portanto, não há distância imune entre personagem e realidade, mas exposição direta à crise.
D
Errada
Está errada porque moraliza o poema ao afirmar que o eu lírico exagera defeitos do personagem e o sabe condenado por eles. A base exclui essa leitura: o drama de José não decorre de falhas pessoais nem de condenação moral individual, mas de uma condição existencial ampla, representativa do homem em crise.
E
Errada
Está errada porque conclui que o sujeito lírico não tem nenhuma consideração pelo personagem. A base afirma que a tonalidade não é despreziva: embora o poema exponha fracasso e impotência, José mantém densidade humana e força exemplar. Assim, a representação da crise não autoriza leitura de indiferença absoluta ou desdém.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crise existencial e condenação moral, além do risco de ler “José” como indivíduo particular, e não como figura universalizante da condição humana.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado destacar esgotamento, finitude de valores ou impasse, priorize alternativas ligadas à crise existencial, não à moralização do personagem.
  • Em poemas como “José”, verifique se o nome próprio funciona simbolicamente; aqui, a leitura correta depende de perceber a universalização do personagem.
  • Quando a forma dominante é interrogativa, não a converta em ordem sem apoio textual; pergunta insistente pode marcar impasse, não prescrição.

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