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Ano: 2009 Banca: UFAC Órgão: UFAC Prova: UFAC - 2009 - UFAC - Vestibular - PRIMEIRO DIA – CADERNO 1 |
Q1375049 Português
Observe o parágrafo abaixo:


“O ex-prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto Bejani é mesmo um fenômeno. Em pleno Brasil do ano de 2008, onde tão pouca gente chega a se meter em algum problema mais sério, de verdade, por cometer atos de delinqüência na vida pública, ele conseguiu ser preso duas vezes seguidas, entre abril e junho. Para começar, deixou-se pegar em flagrante, naquele tipo de cena que hoje em dia se tornou um clássico da nossa política: recebendo pacotes de dinheiro vivo, em valor um pouco acima de 1,1 milhão de reais, numa gravação com imagem e som. Ficou catorze dias na cadeia e foi solto, como acontece sempre: e, como acontece sempre, tudo deveria ir acabando por aí. Neste caso, porém, nem mesmo a incomparável proteção que as leis e a justiça brasileira oferecem a gente como o exprefeito foi suficiente para mantê-lo solto. O documento que ele apresentou para justificar a origem do dinheiro – a já tradicional venda de uma ‘fazenda’, variante da venda de bois, cavalos etc. – foi considerado falso. Diante de sua absoluta falta de cuidado com o que dizia enquanto era gravado, ficou claro que o dinheiro lhe fora entregue em troca da concessão de diversos aumentos no preço das passagens municipais de ônibus. Contra todas as expectativas, o homem teve de voltar ao presídio.” (GUZZO, J. R. Agravo x embargo. Veja, São Paulo, 25 jun. 2008. Seções, p. 140) 
Em “...ficou claro que o dinheiro lhe fora entregue em troca da concessão de diversos aumentos no preço das passagens municipais de ônibus”, as duas orações estão direcionadas a termos acessórios que praticamente complementam o sentido da frase, isso porque:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “...ficou claro que o dinheiro lhe fora entregue em troca da concessão de diversos aumentos no preço das passagens municipais de ônibus”, a oração principal “ficou claro” não se sustenta isoladamente e pede a explicitação do conteúdo introduzido por “que”; essa dependência sintático-semântica entre principal e subordinada afasta as alternativas de limitação, atenuação ou desligamento causal e sustenta a letra B.

Tema central: complementação entre orações
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a oração introduzida por “que” não limita o campo de compreensão da relação entre sujeito e predicado; ela completa semanticamente o predicado “ficou claro”. O funcionamento do trecho é de explicitação do conteúdo, não de restrição.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque a segunda oração fornece exatamente o conteúdo da primeira. Em “ficou claro”, ainda falta dizer o que ficou claro; isso é preenchido por “que o dinheiro lhe fora entregue...”. Assim, a subordinada explicita o teor da afirmação feita na principal e completa seu sentido. Embora a palavra “justifica” não seja a formulação técnica mais rigorosa, é a única alternativa compatível com a relação sintático-semântica efetiva do período.
C
Errada
Está errada porque o período não ameniza causa alguma nem produz efeito de absolvição. O trecho não ameniza a causa nem produz absolvição; apenas explicita o conteúdo do enunciado. O segmento “em troca da concessão...” apenas especifica a circunstância do recebimento do dinheiro.
D
Errada
Está errada porque a subordinada não se liberta de relação com a principal; há dependência sintática e semântica entre elas. Sem a oração iniciada por “que”, a formulação “ficou claro” permanece sem o conteúdo necessário para fechar o sentido do enunciado.
E
Errada
Está errada porque não há fundamentação impropriamente construída nem causa adiada para outra oração. O conteúdo explicativo já está no próprio período, e o trecho “em troca da concessão de diversos aumentos...” funciona como especificação circunstancial do recebimento do dinheiro, sem projeção para desenvolvimento posterior.
Pegadinha da questão
A banca mistura formulação tecnicamente imprecisa no enunciado e nas alternativas com uma estrutura cujo ponto real é simples: identificar que a oração com “que” completa e explicita o conteúdo de “ficou claro”. A confusão possível é tomar essa relação por limitação, causalidade solta ou termo acessório.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a oração principal fica semanticamente incompleta sozinha; se ficar, a oração seguinte pode estar completando seu conteúdo.
  • Quando aparecer estrutura com “que”, observe se ela restringe, causa ou apenas explicita o teor do que foi dito antes.
  • Não deixe a terminologia imprecisa da alternativa desviar do funcionamento real do período: aqui, o decisivo é a dependência de sentido entre principal e subordinada.

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