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Ano: 2023 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2023 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V |
Q4237223 Sociologia
“O lugar do ensino superior agora tem as portas abertas. A (...) Constituição é que impõe essa situação por decreto. Mas (...) este não pode garantir que todos tenham a tal ‘capacidade’ que lhes vai permitir o aproveitamento dessa educação. Há rapazes – até agora são poucas as moças com a força de vontade que Jabu, ainda menina, tinha para dar e vender – que recebem bolsas ou auxílios de algum tipo (...). As ‘aulas de reforço’ (...): um band-aid. Steve sabe que isso não é uma solução para o abismo da educação ruim do fundo do qual os alunos tentam emergir. A Luta não terminou. – (...) Eu tenho alunos de estudos africanos que não sabem escrever (...). – Então o que é que nós devíamos estar fazendo? (...) O professor Nielson ainda usa terno (...), embora o padrão da indumentária tenha relaxado a partir do exemplo dado pelas túnicas de Mandela. (...) – Você não está propondo que a gente baixe ainda mais os critérios de admissão à universidade. Então a universidade é pra avançar no conhecimento ou é pra andar pra trás? O que Steve está perguntando é se esse ensino adicional de faz de conta na esperança de elevar os alunos a um nível universitário pode compensar dez anos de educação primária e secundária de péssimo nível.”

GORDIMER, Nadine. O melhor tempo é o tempo presente. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.82-83.

No excerto do romance da escritora sul-africana Nadine Gordimer, é possível identificar:  
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A pergunta final sobre compensar dez anos de educação básica precária, apesar das portas abertas, situa o problema nas desigualdades educacionais persistentes e confirma D.

Tema central: Desigualdade educacional no pós-apartheid
Análise das alternativas
A
Errada
Confunde consequências persistentes do apartheid com a continuidade do regime. O excerto apresenta o ensino superior formalmente aberto, não a exclusão universitária de negros como regra ainda vigente.
B
Errada
Transforma a menção à pequena presença feminina em uma proibição jurídica que o texto não afirma. A Constituição aparece associada à abertura do acesso, e não à segregação formal das mulheres.
C
Errada
A alegada eficácia das medidas contraria a avaliação crítica do reforço e a referência à péssima formação básica. Além disso, o excerto não situa essas medidas na vigência do apartheid.
D
Certa
A alternativa D distingue abertura institucional de superação efetiva das desigualdades educacionais. As bolsas e o reforço aparecem como medidas cuja suficiência é questionada: a caracterização do reforço como um “band-aid” indica que ele não resolve o déficit acumulado. A discussão sobre as exigências acadêmicas confirma a controvérsia em torno das estratégias de inclusão.
E
Errada
O diálogo contém dúvidas, críticas e divergências sobre a inclusão educacional. Isso exclui a afirmação de reconhecimento consensual de seu sucesso.
Pegadinha da questão
Confundir abertura formal e existência de apoio aos estudantes com superação efetiva das desigualdades; ou tomar a persistência dessas desigualdades como prova de que o apartheid continuava institucionalmente vigente.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga a garantia jurídica de acesso das condições de formação necessárias para aproveitar esse acesso.
  • Avalie a eficácia das medidas pelo julgamento apresentado no texto, não apenas pela existência de bolsas ou reforço.
  • Separe a permanência dos efeitos de um regime da continuidade institucional desse regime.
  • Diante de críticas e divergências, descarte afirmações de sucesso consensual sem concluir, por isso, pelo fracasso absoluto de toda política de inclusão.

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