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Ano: 2023 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2023 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V |
Q4237220 História
“Na coluna do ativo como na do passivo, seria difícil exagerar o papel do açúcar na história do Brasil colonial. Se ele foi o produto que proporcionou a base inicial solidamente econômica para o esforço do colonizador, foi também o que plasmou o regime de propriedade latifundiária, instalou a escravidão africana na América portuguesa e, no seu exclusivismo, inibiu o desenvolvimento da policultura (...), embora estimulando, em áreas apartadas, a pecuária e a lavoura de subsistência. (...) Ele desenvolveu um estilo de vida que marcou a existência de todas as camadas da população que integrou, reservando, contudo, seus privilégios a uns poucos.”

MELLO, Evaldo Cabral de. Um imenso Portugal: História e historiografia. São Paulo: Ed. 34, 2002. p.110. 


O texto indica que, no Nordeste açucareiro dos séculos XVI e XVII, 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O trecho afirma que o açúcar integrou diferentes camadas sociais, mas reservou seus privilégios a poucos; essa evidência sustenta a alternativa C.

Tema central: Privilégios na sociedade açucareira
Análise das alternativas
A
Errada
O excerto menciona a pecuária e a lavoura de subsistência, mas não informa a composição da mão de obra dessas atividades nem menciona a escravização indígena. Portanto, não sustenta a distribuição de escravizados africanos e indígenas pelas três atividades. O erro não é afirmar que esse trabalho jamais existiu, mas atribuir ao texto uma informação que ele não fornece.
B
Errada
A referência a pequenos lotes contraria a formação da propriedade latifundiária destacada no texto. Além disso, o excerto não descreve concessões de terras a donatários.
C
Certa
Os senhores de engenho constituíam a elite proprietária da sociedade açucareira. Sua posição dominante na estrutura latifundiária e escravista explica a concentração dos privilégios nesse grupo, em detrimento dos escravizados e dos livres pobres. Trata-se de concentração, não de exclusividade absoluta de qualquer privilégio.
D
Errada
Relações fundadas na horizontalidade contradizem a estrutura hierarquizada descrita, marcada pela concentração da propriedade e dos privilégios. O texto também não apresenta estímulos governamentais a relações igualitárias.
E
Errada
O texto destaca a escravidão africana como fundamento das relações de trabalho, e não as relações servis características do feudalismo. A presença de grandes propriedades, isoladamente, não permite classificar o modo de produção como feudal.
Pegadinha da questão
A influência do açúcar sobre todas as camadas sociais não significa que todas compartilhassem seus privilégios. Também não se pode deduzir a composição da mão de obra apenas da menção a atividades econômicas, nem equiparar latifúndio a feudalismo.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie o alcance social de uma atividade econômica da distribuição de seus benefícios: atingir toda a população não significa privilegiá-la igualmente.
  • Não deduza a origem ou a condição dos trabalhadores apenas porque o texto menciona determinada atividade econômica.
  • Para identificar relações de produção, confronte a forma de trabalho indicada; a dimensão da propriedade, sozinha, não caracteriza feudalismo.

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GABARITO: C — Os privilégios concentravam-se nas mãos dos senhores de engenho, em detrimento da população escravizada ou livre e pobre.

COMENTÁRIO:

Nos séculos XVI e XVII, a economia açucareira do Nordeste colonial organizava-se em torno do latifúndio, da monocultura da cana-de-açúcar e do trabalho escravizado, principalmente de africanos.

O texto de Evaldo Cabral de Mello destaca que o açúcar estruturou não apenas a economia, mas também as relações sociais da colônia. A riqueza e os privilégios concentravam-se nas mãos de uma pequena elite de proprietários rurais, especialmente os senhores de engenho, enquanto a população escravizada e os trabalhadores livres pobres ocupavam posições subordinadas.

Esse modelo contribuiu para a formação de uma sociedade rural, hierarquizada e marcada pela concentração fundiária e pela desigualdade social.

Bizu: economia açucareira colonial = latifúndio + monocultura + escravidão + concentração de riqueza.

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