O verso “É tempo de formar novos quilombos” é um exemplo de 

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Ano: 2023 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2023 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V |
Q4237215 Português
Tempo de nos aquilombar


É tempo de caminhar em fingido silêncio,
e buscar o momento certo no grito,
aparentar fechar um olho evitando o cisco
e abrir escancaradamente o outro.

É tempo de fazer os ouvidos moucos
para os vazios lero-leros,
e cuidar dos passos assuntando as vias,
ir se vigiando atento, que o buraco é fundo.

É tempo de ninguém se soltar de ninguém,
mas olhar fundo na palma aberta
a alma de quem lhe oferece o gesto.
O laçar de mãos não pode ser algemas,
e sim acertada tática, necessário esquema.

É tempo de formar novos quilombos,
em qualquer lugar que estejamos
e que venham dias futuros, salve 2020
A mística quilombola persiste afirmando:
“a liberdade é uma luta constante”.

Conceição Evaristo. Jornal O Globo, 31/12/2019. 

O verso “É tempo de formar novos quilombos” é um exemplo de 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em “É tempo de formar novos quilombos,”, a imagem dos quilombos é transferida para novas organizações coletivas por semelhança de função: resistência e luta pela liberdade. Essa transferência de sentido caracteriza a metáfora e determina a alternativa C.

Tema central: Metáfora e resistência coletiva
Análise das alternativas
A
Errada
O paradoxo exige uma formulação aparentemente contraditória. Atualizar uma experiência histórica não cria, por si só, contradição: os novos quilombos dão continuidade à resistência associada aos quilombos históricos.
B
Errada
A relação é de semelhança entre formas de resistência, não de contiguidade, como exigiria a metonímia. Além disso, afirmar que não há relação com o passado contraria “A mística quilombola persiste afirmando:”, que assinala a permanência dessa memória.
C
Certa
A imagem dos novos quilombos representa a união coletiva como estratégia de resistência social. Essa leitura se sustenta em “É tempo de ninguém se soltar de ninguém,” e em “O laçar de mãos não pode ser algemas, e sim acertada tática, necessário esquema.” A união é apresentada como ação organizada, vinculada à luta constante pela liberdade, e não como simples reprodução literal de comunidades históricas.
D
Errada
A antítese exige contraposição de sentidos. No poema, a referência histórica e sua renovação não se opõem: “persiste” e “constante” enfatizam a continuidade da luta pela liberdade, e não um contraste entre passado e futuro.
E
Errada
A hipérbole exige exagero expressivo. O plural de “quilombos”, articulado a “em qualquer lugar que estejamos”, indica a possibilidade de múltiplas organizações coletivas, sem exagerar nem quantificar a difusão efetiva de um movimento.
Pegadinha da questão
Confundir a atualização de uma referência histórica com paradoxo ou antítese. O adjetivo “novos” renova a imagem dos quilombos, mas não elimina sua ligação com o passado nem cria uma contradição.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a relação que sustenta o sentido figurado: aqui, a semelhança entre funções de resistência caracteriza a metáfora, não a metonímia.
  • Confronte a imagem destacada com os versos próximos: união, tática e luta pela liberdade delimitam o sentido de “novos quilombos”.
  • Antes de marcar paradoxo ou antítese, verifique se há contradição ou oposição efetiva; a simples associação de tempos diferentes não basta.
  • Não atribua hipérbole ao plural sem identificar um exagero expressivo no contexto.

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