É preciso ler esse livro singular sem a obsessão de
enquadrá-lo em um determinado gênero literário, o que
implicaria em prejuízo paralisante. Ao contrário, a abertura a mais de uma perspectiva é o modo próprio de enfrentá-lo. A descrição minuciosa da terra, do homem e da luta
situa-o no nível da cultura científica e histórica. Seu autor
fez geografia humana e sociologia como um espírito atilado poderia fazê-las no começo do século, em nosso meio
intelectual, então avesso à observação demorada e à pesquisa pura. Situando a obra na evolução do pensamento brasileiro, diz lucidamente o crítico Antonio Candido:
“Livro posto entre a literatura e a sociologia naturalista,
esta obra assinala um fim e um começo: o fim do imperialismo literário, o começo da análise científica aplicada
aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira
(no caso, as contradições contidas na diferença de cultura
entre as regiões litorâneas e o interior).” (Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 1994. Adaptado.) O excerto trata da obra
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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