“Se há, como há, um ‘marketing do bem’ que promove a solidar...

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Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: SÃO CAMILO Prova: VUNESP - 2017 - SÃO CAMILO - Processo Seletivo - 2º Semestre de 2017 - Medicina |
Q1799413 Português
Leia o texto de Eugênio Bucci para responder à questão.

     Se há, como há, um “marketing do bem” que promove a solidariedade social, devemos admitir que a solidariedade se tornou um valor de mercado e um valor para o mercado. Logo, estamos diante de uma “solidariedade de mercado”, uma solidariedade que é não bem um sentimento interior, mas uma imagem de solidariedade. É uma imagem que ganha vida própria e que vai se associar a outras imagens para valorizá-las – imagens de empresas, de marcas, de governos e governantes, de personalidades públicas. A solidariedade, assim posta, como imagem autônoma ou como imagem que reforça outras imagens, existe no mercado não como um fim que se basta, um fim desinteressado, mas como um argumento para o consumo – o consumo de marcas (consumo que é pago em dinheiro, pela compra dos produtos), de governos e governantes (consumo que é pago em delegação de poder, pelo voto), de personalidades públicas, as tais celebridades (que são consumidas pela imitação, pela admiração, o que se remunera com índices de popularidade). Portanto, esse tipo mercadológico de solidariedade, além de constituir um valor de mercado e para o mercado, torna-se também um fator que, para usar aqui a linguagem dos marqueteiros e marquetólogos, “agrega valor” a produtos, marcas, empresas, pessoas e governos. A solidariedade assim posta, mais que um valor ético, é um fator de lucro – ou de proteção contra prejuízos (econômicos e de imagem). É, necessariamente, uma solidariedade exibicionista.

(Eugênio Bucci. “A solidariedade que não teme aparecer”. In: Eugênio Bucci
e Maria Rita Kehl. Videologias: ensaios sobre televisão, 2004.)
“Se há, como há, um ‘marketing do bem’ que promove a solidariedade social, devemos admitir que a solidariedade se tornou um valor de mercado e um valor para o mercado.”
As preposições destacadas expressam, respectivamente, os sentidos de
Alternativas

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Tema central da questão: Morfologia (função e sentido de preposições) e Semântica (interpretação do valor semântico das preposições “de” e “para” no contexto de expressões nominais).

Justificativa da alternativa correta (E):

A questão exige que se compreenda especificamente o sentido expresso por preposições na formação de locuções como “valor de mercado” e “valor para o mercado”.

- "de" em "valor de mercado" funciona indicando posse ou pertencimento. Ou seja, trata-se do valor que pertence ao mercado, que é atribuído pelo mercado (cf. Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

- "para" em "valor para o mercado" indica finalidade, ou seja, o valor tem como destino ou objetivo o mercado (Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Por isso, o gabarito é E) posse e finalidade.

Análise das alternativas incorretas:

A) finalidade e movimento: “de” não expressa finalidade neste contexto; “para” também não indica movimento neste caso.
B) modo e finalidade: “de” não indica modo (modo seria – por exemplo – “feito de forma cuidadosa”).
C) modo e movimento: Novamente, “de” não indica modo nem “para” indica movimento.
D) posse e movimento: “para” não expressa movimento diretamente nesse contexto.

Dica para provas: Leia atentamente as locuções prepositivas: a relação entre os termos pode mudar completamente o sentido. “De” muitas vezes traz ideia de posse ou origem; “para”, de direcionamento ou finalidade. Cuidado com pegadinhas: nem sempre “para” significa deslocamento físico — como nesta questão, em que traz ideia de destinação/finalidade.

Resumo da regra:
“de” ⇨ posse, origem, pertencimento;
“para” ⇨ finalidade, destinação.

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