O aspecto linguístico que está corretamente analisado é o da...

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Ano: 2018 Banca: EBMSP Órgão: EBMSP Prova: EBMSP - 2018 - EBMSP - Prosef - 2019.1 |
Q1336773 Português
    O século XIX foi a época das maiores conquistas que as mulheres tiveram ao longo de sua história; a luta pelo direito de votar, opinar, igualdade de trabalho, frequentar universidades. A sociedade abriu espaço para elas serem livres, mas, no século XX, vimos que a indústria do consumo, que tanto ajudamos a construir, tem feito as mulheres escravas de um padrão inatingível de beleza.
     A indústria do consumo tem o objetivo de vender seus produtos, sejam eles cigarros, carros, cervejas, roupas, calçados, ou até mesmo comidas, com o corpo da mulher. Hoje o corpo feminino vende tudo, mas essa imagem de corpo perfeito e a espetacularização da moda, têm trazido consequências drásticas à nossa sociedade, com milhares de pessoas insatisfeitas consigo mesmas, uma vez que seu perfil em frente ao espelho só lhes mostra defeitos, pois não enxergam mais sua beleza interior, e sentem um vazio enorme dentro de si, porque querem ser o que não são, querem ser como as modelos das capas de revistas e comerciais.
     Esses efeitos, causados pela indústria do consumo na sociedade, são promotores de crescimento e sucesso industrial, porque pessoas insatisfeitas correm às lojas para comprar objetos a fim de satisfazer seus desejos, acabar com a ansiedade, aumentar sua autoestima. Mas esses prazeres são passageiros, pois, logo após alguns segundos, já querem outro produto, pois o que compraram há pouco tempo já se tornou obsoleto, tudo isso devido à vida líquida que vivemos nesta sociedade moderna, onde nada se firma, não há tempo para as coisas tomarem forma, por causa dos avanços constantes, das modas passageiras e do surgimento, a cada minuto, de uma nova tecnologia.
     A indústria do consumo tem o objetivo de promover, inconscientemente, a insatisfação e não a satisfação, como muitas pessoas pensam e se deixam influenciar. Pessoas satisfeitas, bem humoradas, com autoestima não precisam da paranoia de viver comprando desenfreadamente, ou viver correndo atrás das coisas que estão na moda, a qual muda todo dia, trazendo, assim, um desgaste constante, por viver trocando carro, celular, roupas, calçados. Pessoas bem resolvidas consomem mais ideias do que estética. A cada dia, os seres humanos estão sendo vistos por essa indústria de consumo como mais um número de cartão de crédito, mais um comprador em potencial, e não como alguém que deve ser valorizado por sua inteligência, capacidades e beleza interior. Não importa o que as indústrias da moda, da beleza, do consumo e os meios de comunicações nos impõem, ou os produtos que colocam no mercado, prometendo milagres de beleza, de rejuvenescimento, dizendo que isso fará o indivíduo ser bem aceito na sociedade e ter ascensão social. Não adianta estar se matando para atingir o inatingível, pois cada pessoa tem uma beleza única e deve ser aceita como é. Cuidar-se e ser vaidosa faz parte da natureza de cada mulher, mas não deve chegar ao ponto de se deixar escravizar por isso. O envelhecer é nosso destino, viver feliz e com dignidade deve ser nossa meta.

SILVA, Henriette Valéria da. O padrão de beleza imposto pela mídia. Disponível em: <http:/observatoriodaimprensa.com.br>. Acesso em: nov. 2018. Adaptado.


O aspecto linguístico que está corretamente analisado é o da alternativa
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Comentário – Gabarito Comentado:

Tema central: Pontuação – Uso da vírgula em enumerações. Esta questão exige que o aluno reconheça, a partir do texto, o emprego correto da vírgula para separar termos de uma enumeração, conforme a norma-padrão.

Justificativa (Alternativa A – Correta):

Na frase “a luta pelo direito de votar, opinar, igualdade de trabalho, frequentar universidades”, as vírgulas separam elementos de uma enumeração. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, o uso da vírgula nesse contexto é obrigatório, servindo para distinguir cada item listado (votar, opinar, igualdade de trabalho, frequentar universidades). A regra é clara: a vírgula separa membros justapostos, de mesma função sintática, em enumerações não ligadas por conjunção (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”).

Análise das alternativas incorretas:

B) O pronome demonstrativo “esses” tem função anafórica (retoma prazeres já citados), e não catafórica. O erro é comum: catafórico anuncia conteúdo futuro; anafórico remete ao que já foi expresso.

C) Embora “como” esteja em contexto de comparação, a alternativa não aprofunda ou clarifica essa relação. O termo “como” funciona como conjunção comparativa, entretanto, para análise gramatical, é necessário considerar a construção completa em que o sentido esteja inequívoco. Aqui a alternativa não especifica suficientemente o ponto gramatical.

D) O ponto final em “e do surgimento, a cada minuto, de uma nova tecnologia.” não cumpre a mesma função de fechamento de ideia independente como em “viver feliz e com dignidade deve ser nossa meta.” As estruturas e objetivos sintáticos dos pontos divergem.

E) O “que” em “Não importa o que as indústrias da moda…” não é pronome indefinido substantivo, mas sim pronome relativo, pois exerce a função de conectar a oração principal ao termo subordinado, conferindo sentido de o que quer que.

Dica de estratégia: Sempre atente para: funções coesivas, emprego da vírgula, relações de pronome/anáfora e tipos de comparação. Evite as pegadinhas de terminologia (“anafórica” x “catafórica”; “pronome relativo” x “indefinido”) e busque o conceito central.

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