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Ano: 2016 Banca: PUC - RS Órgão: PUC - RS Prova: PUC - RS - 2016 - PUC - RS - Vestibular - Primeiro Semestre - 2º Dia |
Q761496 Literatura
Leia o excerto do romance Intermitências da Morte, de José Saramago, e analise as afirmativas. No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. I. A partir de uma situação fantástica, a inexistência de mortes é vista como um fato inquietante. II. Conforme o texto, podemos inferir que adoentados em estado grave foram salvos da morte, libertando-se de seu sofrimento. III. O estilo do autor é marcado pela oscilação entre a narrativa de um fato e o comentário dissertativo sobre ele. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são, apenas,
Alternativas

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Tema central: A questão trabalha a interpretação de elementos do realismo mágico e o estilo narrativo de José Saramago, analisando como ele articula o fantástico e a estrutura discursiva reflexiva em sua obra.

Conceitos teóricos envolvidos: O Realismo Mágico introduz elementos extraordinários em uma realidade plausível. Saramago, utilizando essa técnica, provoca reflexão social e filosófica, frequentemente recorrendo a comentários irônicos no curso da narrativa.

Justificativa da alternativa correta (D):

I. O texto apresenta, de imediato, um fato impossível no mundo real (um dia sem nenhuma morte), criando uma situação fantástica que causa inquietação coletiva. Isso é típico de Saramago e do realismo mágico, conforme salientam autores como Massaud Moisés em "História da Literatura Brasileira". Palavras como “por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme” indicam o impacto da situação anômala.

III. O estilo narrativo de Saramago, reconhecido tanto em análises literárias quanto em manuais como o de Alfredo Bosi, inclui alternância entre a narração objetiva e comentários reflexivos/dissertativos. Após narrar o evento (ausência de mortes), o narrador faz comentários sobre a rareza do fenômeno e suas consequências sociais, exemplificando essa peculiaridade.

Análise das alternativas incorretas:

II. O texto não diz que adoentados foram salvos ou libertos do sofrimento. Pelo contrário, a ausência de morte sugere o prolongamento de situações críticas, sem alívio para os que padecem. Essa pegadinha busca induzir o candidato a uma inferência positiva equivocada.

Estratégia de interpretação: Atenção às palavras-chave (“ninguém morreu”, “não havia notícia”, “perturbação”) é essencial para perceber o tom de exceção e inquietação. Desconfie de inferências não explícitas e nunca extrapole além do que o texto permite. Questões assim valorizam a análise do não-dito (implícito) e de marcas estilísticas evidentes.

Resumo: As afirmativas I e III resumem o cenário fantástico e o estilo reflexivo de Saramago. A II é incorreta, pois introduz uma ideia não sustentada pelo texto. Alternativa correta: D (I e III).

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Comentários

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I. A partir de uma situação fantástica, a inexistência de mortes é vista como um fato inquietante.

absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante - Ok

II. Conforme o texto, podemos inferir que adoentados em estado grave foram salvos da morte, libertando-se de seu sofrimento. 

Não cita adoentados - falso

III. O estilo do autor é marcado pela oscilação entre a narrativa de um fato e o comentário dissertativo sobre ele

passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e noturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. - Ok

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