Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de...

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Ano: 2016 Banca: PUC - RS Órgão: PUC - RS Prova: PUC - RS - 2016 - PUC - RS - Vestibular - Primeiro Semestre - 2º Dia |
Q761494 Literatura
Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de Luís Fernando Veríssimo, e analise as considerações que seguem, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso). “Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo. (...) As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara. Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que, como todos estavam dizendo a verdade, a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença. A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio.
( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política. ( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca. ( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos. ( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida. ( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas

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GABARITO COMENTADO:

Tema central: Compreensão das características da crônica jornalística e análise da ironia e crítica social em “A morte da Velhinha de Taubaté”, de Luís Fernando Veríssimo.

Estratégia para resolver a questão: Busque identificar ironia, crítica social e o hibridismo textual típico das crônicas de Veríssimo, que misturam elementos da notícia jornalística e da literatura. Fique atento a termos subjetivos e comparações indiretas, além do uso de eufemismo e subentendidos no texto.

Análise das afirmações:

(1) Verdadeiro (V): O texto possui crítica bem-humorada à corrupção política. Veríssimo ironiza a inocência da Velhinha que ainda acredita nos políticos, mesmo diante de denúncias.

(2) Verdadeiro (V): Ele simula o formato de notícia de jornal (com data, causa da morte, relato de testemunha) para construir uma narrativa caricatural, recurso frequente na crônica.

(3) Falso (F): A profissão de Suzette é apresentada de modo eufemístico — a personagem acredita que ela faz trabalho social, enquanto o texto sugere uma profissão moralmente questionável, sem dizer explicitamente.

(4) Falso (F): FHC, Lula e Palocci aparecem como personagens reais, mas a “fé política” da Velhinha é apresentada de modo ingênuo e satírico, não como algo verdadeiro ou fundamentado em ações positivas desses personagens. A ironia está em sua crença obstinada.

(5) Verdadeiro (V): Veríssimo tem trajetória notória em diferentes gêneros: crônicas, contos, diálogos, poesias e textos satíricos, evidenciando versatilidade em sua obra.

GABARITO: A) V – V – F – F – V

Análise crítica das alternativas incorretas: Evite erros comuns, como aceitar afirmações que ignoram o tom irônico e o eufemismo do texto. Atenção com alternativas que generalizam ou distorcem o posicionamento de personagens reais na crônica — lembre-se que a ironia serve para construir uma caricatura social, não para consolidar admiração ou confiança sincera.

Dica para provas: Na leitura de crônicas, priorize reconhecer os recursos de humor, subentendidos e críticas disfarçadas, além da exploração de formatos jornalísticos usados com finalidade literária.

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