Leia o poema A meu pai morto, de Augusto dos Anjos, e analis...
Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra. Em seus lábios que os meus lábios osculam Microrganismos fúnebres pululam Numa fermentação gorda de cidra.
Duras leis as que os homens e a hórrida hidra A uma só lei biológica vinculam, E a marcha das moléculas regulam, Com a invariabilidade da clepsidra!...
Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos Roída toda de bichos, como os queijos Sobre a mesa de orgíacos festins!...
Amo meu Pai na atômica desordem Entre as bocas necrófagas que o mordem E a terra infecta que lhe cobre os rins!
I. As estrofes que começam por “Podre meu Pai!” reiteram a ideia de que, por trás da Morte, há a presença de bichos e microrganismos cuja função é servir à lei biológica, que conduz todo ser vivo ao seu fim e à dissolução. II. O poema, por ser um soneto, contrasta com a produção de Augusto dos Anjos, em geral marcada pela presença de versos livres e pela renovação formal. III. O uso de vocabulário científico, transformado em linguagem poética pelo autor, é percebido na poesia de Augusto dos Anjos. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
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Gabarito: C) I e III, apenas.
Tema central: A compreensão das características da poesia de Augusto dos Anjos e sua relação com as escolas literárias, destacando: temática da morte e decomposição, vocabulário científico e uso de formas fixas (soneto).
Justificativa das alternativas:
I – Correta. Augusto dos Anjos foca na materialidade da morte, evidenciando a ação de microrganismos e a submissão do corpo às “leis biológicas”. O poema retrata claramente a ideia de decomposição (“microrganismos fúnebres pululam”, “bichos... roída toda”, “terra infecta”), que é justamente o cerne da afirmação. Trata-se de um traço marcante do autor, presente em praticamente todo seu livro Eu. Dica: Em provas, busque palavras-chave que apontem para a biologização da morte nos versos.
II – Incorreta. A armadilha aqui está em afirmar que o soneto contrasta com a produção do autor. Ao contrário, Augusto dos Anjos escreveu majoritariamente sonetos, o que é comprovado em manuais como o de Massaud Moisés. Sua inovação está no conteúdo e na linguagem, não na métrica ou na forma fixa. Fique atento: questões podem confundir “renovação temática” com “renovação formal”.
III – Correta. O vocabulário científico é inconfundível em Augusto dos Anjos (“microrganismos”, “moléculas”, “fermentação”, “clepsidra”). Esse é um de seus maiores diferenciais. Observe que o dado vem textualizado nos versos, o que confirma diretamente a alternativa. Segundo Alfredo Bosi, a fusão entre a ciência e a poesia é um traço original do autor.
Estratégias e cuidados:
- Cuidado com alternativas que trazem afirmações genéricas ou trocam termos (forma x conteúdo, novo x tradicional).
- Busque sempre exemplos concretos no texto ou em obras de referência.
- Desconfie de frases absolutas (“sempre”, “nunca”), pois costumam indicar erros ou armadilhas.
Resumo: A alternativa correta é a C) I e III. As alternativas I e III representam características essenciais da obra de Augusto dos Anjos, enquanto II erra ao atribuir ao autor uma produção baseada em versos livres, quando ele, de fato, predominou no soneto.
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Comentários
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C. I e III, apenas.
É mais fácil ler assim: e acho que o poema está faltando um verso , então peguei na internet ele completo e estruturado;
- Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra.
- Em seus lábios que os meus lábios osculam
- Microrganismos fúnebres pululam
- Numa fermentação gorda de cidra
- Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
- A uma só lei biológica vinculam,
- E a marcha das moléculas regulam,
- Com a invariabilidade da clepsidra!...
- Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos
- Roída toda de bichos, como os queijos
- Sobre a mesa de orgíacos festins!...
- Amo meu Pai na atômica desordem
- Entre as bocas necrófagas que o mordem
- E a terra infecta que lhe cobre os rins!
O poema é caracterizando pela mistura intensa de sentimentos e terminologia científica para descrever a morte;
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