[...] Sempre houve um campo alegando que os organismos vivos...

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Ano: 2009 Banca: UEFS Órgão: UEFS Prova: UEFS - 2009 - UEFS - Vestibular - Física, Química e Biologia |
Q1372647 Biologia
[...] Sempre houve um campo alegando que os organismos vivos não eram, na verdade, nada diferentes da matéria inanimada; algumas vezes essas pessoas foram chamadas de mecanicistas, mais tarde de fisicalistas. E sempre houve um campo oposto — os chamados vitalistas — reivindicando, por sua vez, que os organismos vivos possuíam propriedades que não poderiam ser encontradas na matéria inerte e que, portanto, conceitos e teorias biológicas não poderiam ser reduzidos às leis da física e da química. Em alguns períodos e centros intelectuais, os fisicalistas pareciam vencer o debate, e em outras épocas e locais os vitalistas pareciam prevalecer. Neste século (XX), ficou claro que ambos os lados estavam parcialmente certos e parcialmente errados. (MAYR, 2008, p. 21)

Considerando-se o texto acima e os modelos utilizados pela ciência na caracterização da vida, é possível afirmar:
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa A

Tema central: o enunciado trata do debate histórico entre fisicalismo (redução da vida a leis da física/química) e vitalismo (existência de uma “força vital” irreduzível). Para resolver a questão é preciso conhecer a história da biologia, a revolução da bioquímica e os limites conceituais do reducionismo.

Resumo teórico: a bioquímica e a biologia molecular demonstraram que muitos processos vitais (metabolismo, replicação do DNA, catálise enzimática) obedecem a princípios físico-químicos (ver Mayr, 2008). Experimentos clássicos (Oparin; Miller–Urey, 1953) e a descoberta do código genético mostraram mecanismos naturais plausíveis para processos vitais. Porém, reconhece‑se hoje a importância das propriedades emergentes e da organização de níveis (sistemas, ecologia), o que impede uma redução absoluta e simplista.

Justificativa da alternativa A: A alternativa afirma que os fisicalistas acertaram ao negar componente metafísico e explicar a vida no nível molecular pela física e química. Isso está de acordo com a evidência empírica acumulada pela bioquímica e biologia molecular: processos celulares têm bases químicas e físicas identificáveis. Portanto, A é correta como afirmação geral e compatível com a posição contemporânea citada por Mayr (2008).

Análise das alternativas incorretas:

B — Errada: revê o vitalismo clássico e introduz “força vital etérea”, hipótese sem suporte experimental; o vitalismo foi descartado pela evidência bioquímica.

C — Errada: “darwinismo social” refere‑se a aplicação social/política das ideias darwinianas (errônea e ideologizada), não é síntese científica de fisicalismo/vitalismo nem modelo aceito pela ciência.

D — Errada: confunde seleção natural com prova de causas exclusivas e ainda liga isso a interpretações teológicas. A seleção natural explica adaptação sem implicar finalidade teleológica nem apoiar argumentos teístas; tampouco é “prova exclusiva” de todas as causas biológicas.

E — Errada: abiogênese é hipótese sobre a origem da vida (não um mecanismo da evolução em si). Além disso, dizer que se tornou “o alicerce” do novo paradigma é simplificação: a teoria evolutiva e a biologia molecular formam o arcabouço; abiogênese é área específica em aberto (ligada a pesquisas experimentais e modelos).

Dica de prova: procure termos absolutos ("sempre", "força etérea", "prova decisiva"); identifique diferenças entre origem da vida (abiogênese) e processos evolutivos; e lembre-se: alternativas que apelam a metafísica ou ideologia geralmente estão incorretas.

Fontes sugeridas: Ernst Mayr, "What Makes Biology Unique?" (2008); Oparin (1924); Miller & Urey (1953); livros de bioquímica e biologia molecular.

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