SAPO-CURURU Sapo-cururu Da beira do rio. Oh que sapo go...

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Ano: 2016 Banca: UNEMAT Órgão: UNEMAT Prova: UNEMAT - 2016 - UNEMAT - Vestibular UNEMAT |
Q1782763 Literatura
SAPO-CURURU
Sapo-cururu Da beira do rio. Oh que sapo gordo! Oh que sapo feio! Sapo-cururu Da beira do rio. Quando o sapo coaxa, Povoléu tem frio.
Que sapo mais danado, Ó maninha, Ó maninha! Sapo-cururu é o bicho Pra comer de sobreposse.
Sapo-cururu Da barriga inchada. Vôte! Brinca com ele... Sapo cururu é senador da República.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
No texto de Bandeira está explícito o procedimento de intertextualidade caracterizado pelo diálogo que um texto estabelece com outro, o que faz desse poema:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a paródia: retomada reconhecível de um texto anterior com transformação de sentido e efeito satírico. No poema, isso aparece na repetição de marcas da cantiga popular, como “Sapo-cururu / Da beira do rio”, e na inserção final “Sapo cururu é senador da República.”, que desloca o sentido e sustenta a classificação da alternativa A.

Tema central: Paródia e intertextualidade
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica exatamente a relação intertextual presente no poema: Manuel Bandeira reaproveita marcas reconhecíveis da cantiga popular “Sapo Cururu”, mas não a reproduz de forma fiel. Ele altera o desenvolvimento do texto com inserções novas e culmina em um fechamento satírico de teor político — “Sapo cururu é senador da República.”. Esse procedimento corresponde ao conceito de paródia: manutenção de elementos do texto-fonte com transformação de sentido e efeito crítico-humorístico.
B
Errada
Está errada porque paráfrase pressupõe reapresentação de um conteúdo com preservação fundamental do sentido. Aqui isso não ocorre: o poema não mantém o sentido da cantiga original, mas o desvia para a sátira. Além disso, a afirmação de que o sapo não é personificado contraria o verso “Sapo cururu é senador da República.”, que projeta traço humano-institucional no sapo.
C
Errada
Está errada porque a questão exige classificar o procedimento de intertextualidade, e não discutir regionalismo lexical, circulação da palavra “vôte” ou biografia do autor. Chamar o poema de “hino popular” não responde ao ponto cobrado, que é a natureza da relação entre esse texto e a cantiga popular retomada.
D
Errada
Está errada porque plágio é cópia indevida sem reelaboração criativa relevante e sem função estética intertextual reconhecível. No caso, há transformação literária clara do material popular e a própria questão explicita que se trata de intertextualidade, isto é, de diálogo entre textos, não de simples cópia ilícita.
E
Errada
Está errada porque “apropriação indevida” é incompatível com a caracterização técnica do caso. O poema realiza uma recriação estética legítima por meio de paródia. O fato de o modernismo dialogar com formas populares não autoriza classificar esse procedimento como indevido nem substitui a categoria específica pedida pela questão.
Pegadinha da questão
A confusão real está em tomar a manutenção de versos da cantiga como sinal de paráfrase ou de cópia, ignorando o verso final, que produz o desvio satírico decisivo para a classificação como paródia.
Dica para questões semelhantes
  • Se o texto conserva partes reconhecíveis do original, mas muda seu sentido com ironia, humor ou crítica, o critério aponta para paródia.
  • Se a questão pede intertextualidade, elimine alternativas que desviem o foco para biografia do autor, regionalismo ou comentários laterais.
  • Diferencie cópia de recriação: plágio não se confunde com reescritura literária transformadora.
  • Em casos de dúvida entre paródia e paráfrase, verifique se o sentido essencial foi preservado ou se houve deslocamento crítico estruturante.

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