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Ano: 2010 Banca: COPERVE - UFSC Órgão: UFSC Prova: COPERVE - UFSC - 2010 - UFSC - Vestibular - Prova 2 |
Q1309177 História

Leia o texto abaixo com atenção.


Nossa forma de governo não se baseia nas instituições dos povos vizinhos. Não imitamos os outros. Servimos de modelo para eles. Somos uma democracia porque a administração pública depende da maioria, e não de poucos. Nessa democracia, todos os cidadãos são iguais perante as leis para resolver os conflitos particulares. Mas quando se trata de escolher um cidadão para a vida pública, o talento e o mérito reconhecidos em cada um dão acesso aos postos mais honrosos. [...] Usamos a riqueza como um instrumento para agir, e não como motivo de orgulho e ostentação. Entre nós, a pobreza não é causa de vergonha. Vergonhoso é não fazer o possível para evitá-la. Todo o cidadão tem o direito de cuidar de sua vida particular e de seus negócios privados. Mas aquele que não manifestar interesse pela política, pela vida pública, é considerado um inútil. Em resumo, digo que nossa cidade é uma escola para toda Hélade, e cada cidadão ateniense, por suas características, mostra-se capaz de realizar as mais variadas formas de atividade.

TUCÍDEDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília/São Paulo: UnB/Hucitec, 1986, cap. 37-41, Livro II.

Com base neste texto do historiador ateniense Tucídedes e sobre história antiga ocidental, é CORRETO afirmar que:


de acordo com Tucídedes, os povos vizinhos de Atenas eram seus imitadores. Podemos concluir que, dada à proximidade geográfica, Esparta adotou este modelo.

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Resposta correta: E — Errado

Tema central: interpretação de fonte clássica (Tucídides) e distinção entre propaganda/autoimagem ateniense e realidade político-institucional das cidades-estado gregas — especialmente Esparta.

Resumo teórico: Tucídides apresenta Atenas como modelo em termos de participação política e mérito. Porém, seu relato é também uma construção retórica sobre a superioridade ateniense. Historicamente, Esparta manteve uma constituição oligárquico-militar (dupla monarquia, gerúsia, éforos) profundamente diferente da democracia ateniense — fato reconhecido por fontes antigas (Aristóteles, Política) e por historiadores modernos (ex.: Paul Cartledge).

Justificativa do gabarito (por que E é correto): A afirmação dada extrapola mal o texto. Mesmo que Tucídides diga que Atenas serve de modelo para "a Hélade", não se segue que Esparta — rival e com instituições contrárias aos ideais democráticos — tenha adotado esse modelo. Pelo contrário: a divergência institucional e ideológica entre Atenas e Esparta é bem documentada; Esparta não imitou a democracia ateniense.

Dica de interpretação: cuidado ao transformar uma generalização retórica do autor em prova histórica absoluta. Pergunte-se: há evidência institucional concreta (leis, órgãos, práticas) de que determinada cidade mudou seu regime? No caso, não há para Esparta.

Fontes citadas: Tucídides, História da Guerra do Peloponeso (Livro II); Aristóteles, Política; Paul Cartledge, estudos sobre Esparta.

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