Para os europeus que se relacionavam com as sociedades africanas, a poligamia era algo a ser combatido, ligado
a formas de viver atrasadas e condenado pela religião. Para
os africanos, quanto mais mulheres pudessem ter, mais
amplos seriam os laços de solidariedade e fidelidade, pois
os casamentos garantiam alianças entre os grupos. E aquele que possuísse muitas mulheres, além de ter laços com
diversas linhagens, teria uma descendência maior, nascida
de suas várias mulheres. Quanto mais pessoas um chefe
tivesse sob sua dependência e proteção, mais sólida seria
sua posição e maior o seu prestígio.
(Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano, 2007.)