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Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE / CEBRASPE - 2024 - UNB - Prova de Conhecimentos II - 1° dia |
Q3107485 Geografia
      Pelo menos não é mais segredo que as agências de inteligência há tempos utilizam as tecnologias de IA para a espionagem, monitoram as nossas conversas captadas diretamente dos dispositivos que utilizamos para acessar a Internet e extraem as mensagens de texto, áudio e vídeo que postamos na rede.

W. Praxedes. Sociologia da inteligência artificial. In: Revista Espaço Acadêmico, v. 24, n.º 244, 2024, p. 181–191.


Tendo o texto precedente como referência, julgue o item a seguir, relativos ao contexto sociológico da realidade atual, marcada pelos avanços da tecnologia da informação. 

A separação entre público e privado, um dos traços da modernidade, torna-se muito fluida na contemporaneidade, o que se evidencia pela publicação espontânea por usuários das redes sociais de informações pessoais, que antes seriam consideradas específicas da vida privada. 
Alternativas

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Resposta: C - Certo

Tema central: a questão aborda a transformação da fronteira entre público e privado na contemporaneidade, sobretudo por causa das tecnologias digitais e das redes sociais. Esse é um tema clássico da geografia social/econômica e da sociologia da tecnologia.

Resumo teórico e conceitos-chave (claro e progressivo):

- Na modernidade clássica, existia uma separação mais nítida entre esfera pública (política, trabalho) e esfera privada (família, intimidade).

- Goffman: frontstage/backstage — modos diferentes de apresentação do eu em espaços distintos (1959).

- Bauman: "modernidade líquida" — fronteiras sociais mais instáveis; identidade e tempo social fluem (2000).

- Zuboff: "surveillance capitalism" — plataformas extraem dados e tornam privados em matéria-prima para mercados (2019).

- Resultado prático: as plataformas incentivam a autopublicação; o que antes era restrito ao privado torna-se visível, compartilhável e monetizável.

Justificativa da alternativa correta:

A afirmação é correta porque descreve precisamente o fenômeno empírico e teórico: as redes sociais e dispositivos móveis reduziram a capacidade de manter distinções rígidas entre público e privado. Usuários publicam voluntariamente informações íntimas (textos, fotos, lives), enquanto algoritmos e a economia da atenção amplificam essa exposição. Assim, a separação torna‑se muito fluida, não rígida — exatamente o que a alternativa expressa.

Fontes e referências rápidas: Goffman (1959); Bauman, Liquid Modernity (2000); Zuboff, The Age of Surveillance Capitalism (2019); Lei Geral de Proteção de Dados — Lei n.º 13.709/2018 (contexto jurídico brasileiro sobre dados pessoais).

Estratégia de prova: ao interpretar enunciados sobre sociedade e tecnologia, identifique palavras-chave (ex.: "fluida", "espontânea", "publicação por usuários"); relacione ao debate sociológico (Goffman, Bauman, Zuboff). Desconfie de alternativas absolutas (sempre/nunca) — aqui a ideia de fluidez admite ambivalências, por isso a afirmação é adequada.

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Comentários

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As fronteiras entre o que é considerado público e privado se tornaram extremamente tênues (fluidas) na era digital, principalmente devido ao compartilhamento espontâneo de informações pessoais nas redes sociais.

Ex: Atualmente vivemos na geração TikTok.

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