O desenvolvimento das inteligências artificiais (IA) tem sus...

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Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510622 Sociologia
Leia a matéria a seguir para responder à questão.


Proletários de plataforma
Como a indústria de inteligência artificial lucra criando uma nova classe trabalhadora sem direitos no Brasil


A baiana Lílian largou um emprego CLT no ano passado. Por causa da filha pequena, trabalhar fora de casa era um pesadelo. Foi em um vídeo no TikTok que ficou sabendo da possibilidade de trabalhar online treinando inteligência artificial.
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Hoje, trabalha em horários flexíveis, seis dias por semana, para “melhorar a inteligência artificial com dados”, como propagandeia a Appen. No fim do mês, se tudo der certo, tira R$ 1.400, sem nenhum outro benefício. Lílian faz parte de uma classe de trabalhadores muitas vezes definidos como fantasmas, escondidos ou microtrabalhadores. Por meio de plataformas multinacionais como Tellus, OneForma e a própria Appen, grandes empresas de tecnologia contratam mão de obra barata, em larga escala e em diversos países, para executar pequenas tarefas.

Na outra ponta da cadeia, gigantes como Meta, Google e TikTok lucram com a facilidade de comprar bases de dados já preparadas por trabalhadores que custam infinitamente menos do que os profissionais do mercado de tecnologia. As big tech também se beneficiam de uma cadeia que opera à margem da lei, opaca e blindada por contratos de confidencialidade, em que as pessoas sequer sabem para quem ou para quê estão trabalhando. Além dos salários baixos, esses trabalhadores terceirizados não recebem treinamento e trabalham com prazos apertados. Há inúmeros relatos de calotes, contratos rompidos unilateralmente sem explicação e desassistência das plataformas.
[...]

Os sistemas de aprendizado de máquina são um tipo de inteligência artificial, um conjunto de algoritmos que, a partir de determinado input – dados ou informações disponíveis – gera um output, ou seja, o resultado desejado. Isso pode ser feito com uma árvore de decisão, por exemplo. Mas, no caso da IA generativa, o próprio sistema aprende a decidir sozinho, no chamado ‘deep learning’, ou aprendizado profundo. O programador não cria a regra – só mostra o resultado desejado.

Os dados produzidos por essa legião de trabalhadores são a matéria prima e o refinamento dessa automatização. É a partir deles que os sistemas de computação ditos inteligentes aprendem os padrões que vão imitar depois.

Sem uma montanha de conteúdo produzido por veículos de comunicação e pessoas reais, o ChatGPT seria incapaz de oferecer respostas qualificadas. Sem pessoas reais interpretando erros de digitação em resultados de busca, o Google não adivinharia o que você realmente quis dizer com aquela palavra que escreveu errado. Sem trabalhadores interpretando fotos para treinar algoritmos de visão computacional, câmeras inteligentes não conseguiriam identificar objetos em uma imagem.

Para executar o enorme número de tarefas humanas necessárias para o desenvolvimento de sistemas de IA, é preciso contratar também milhões de trabalhadores. O jeito mais barato que a indústria encontrou para fazer isso foi por meio de multinacionais intermediárias.
[...]

DIAS, Tatiana; SCHURIG, Sofia. Proletários de plataforma: como a indústria de inteligência artificial lucra criando uma nova classe trabalhadora sem direitos no Brasil. 2024. Disponível em: https://www.intercept.com.br/2024/07/22/inteligencia-artificial-classe-trabalhadora-sem-direitos-no-brasil/. Acesso em: 24 mar. 2025.
O desenvolvimento das inteligências artificiais (IA) tem suscitado muitos debates a respeito da ética na produção de materiais originais; da sustentabilidade, com a proliferação de enormes centros de dados; da substituição da força de trabalho por máquinas ou programas de computador; além disso, o uso de IA toca na questão do recrudescimento cognitivo. Levando em consideração os problemas sociais advindos das inteligências artificiais, verifica-se que seu desenvolvimento impacta 
Alternativas

Gabarito comentado

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Alternativa correta: E

Tema central: Impactos das inteligências artificiais sobre o mundo do trabalho e a desigualdade social — especialmente a substituição e precarização de profissões da produção cultural e de serviços criativos.

Resumo teórico (claro e progressivo): A expansão de IAs generativas e plataformas digitais cria formas de trabalho precarizadas (trabalhadores “em plataforma”, microtarefas) e substitui parte da mão de obra intelectual e criativa. Conceitos úteis: proletarização digital, trabalho por plataforma, automação capitalista (ver ILO, "Digital Labour Platforms and the Future of Work", 2018) e debates sobre direitos trabalhistas (CLT e a lacuna frente a contratos internacionais/plataformas).

Por que E é correta: A alternativa E aponta para a substituição de artistas gráficos, escritores, dubladores etc. por produtos de IA. Isso está diretamente ligado ao texto-base, que mostra como dados e tarefas humanas (criação, rotulação, dublagem, edição) são automatizados ou gerados artificialmente, afetando empregos e renda no setor cultural.

Análise das incorretas:

A: fala de desindustrialização e expansão agrícola — não guarda relação causal lógica com a automação digital descrita.

B: cria uma hipótese sobre intolerância religiosa entre usuários de diferentes AIs — absurda e não relacionada ao texto.

C: afirma que IAs são isentas de política e impedem debates — incorreto: IAs reproduzem vieses e suscitam debates éticos; não é foco do trecho que trata de trabalho e precarização.

D: afirma que distribuição de serviços básicos passou a ser baseada em algoritmo e não em critério econômico — exagero e desconexo: o texto trata de emprego e exploração via plataformas, não de uma substituição completa das lógicas econômicas de distribuição social.

Estratégia para provas: Procure palavras-chave do enunciado (ex.: trabalho, plataformas, substituir profissões) e elimine alternativas que fogem do eixo central. Atenção a opções que misturam temas sem vínculo lógico com o texto.

Fontes sugeridas: ILO (2018) sobre trabalho em plataformas; estudos sobre economia política da automação; legislação trabalhista brasileira (CLT) para entender lacunas de proteção.

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Comentários

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Atualmente é possível observar cada vez mais a substituição de trabalhadores da cultura por ferramentas de inteligência artificial, que por sua vez são capazes de criar textos, imagens, vozes e até vídeos. Dessa maneira, profissões ligadas à produção artística e criativa estão sendo diretamente afetadas já que muitos estúdios, empresas e plataformas têm optado por utilizar IA em vez de contratar artistas humanos, por ser mais barato, rápido e eficiente, o que ameaça empregos e precariza ainda mais essas profissões (exemplo na prática disso foi a polêmica da banda Deicide ter optado por usar uma imagem de IA como foto do seu novo álbum "Banished By Sin")

LETRA E

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