Leia o texto a seguir. No que diz respeito a todas as coisa...
No que diz respeito a todas as coisas que compreendemos, não consultamos a voz de quem ensina, a qual soa por fora, mas a verdade que dentro de nós preside à própria mente, incitados talvez pelas palavras a consultá-la. Quem é consultado ensina verdadeiramente, e este é Cristo, que habita, como foi dito, no homem interior, isto é: a virtude incomensurável de Deus e a sempiterna Sabedoria, que toda alma racional consulta, mas que se revela a cada um quanto é permitido pela sua própria boa ou má vontade.
AGOSTINHO, Santo. De magistro (Do mestre). 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 319. (Adaptado).
Desde o início do século IV, o cristianismo foi se tornando cada vez mais influente em todos os setores da sociedade, inclusive na reflexão filosófica, como ilustra a vasta produção literária de Agostinho de Hipona (Santo Agostinho).
Nesse sentido, o trecho apresentado ilustra uma ideia filosófica que ficou conhecida como
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Resposta correta: E — doutrina da iluminação divina.
Tema central: o trecho de Agostinho descreve a ideia de que a verdade é conhecida por uma luz interior (Cristo/Deus) que ilumina a mente. Isso remete à tradição platônica (anamnesis) adaptada por Agostinho como a doutrina da iluminação divina — essencial em filosofia da religião e epistemologia medieval.
Resumo teórico: a doutrina da iluminação afirma que conhecer verdadeiros universais exige uma luz ou assistência divina que torna inteligíveis as formas/ideias. Em Platão (Menon), a reminiscência sugere que o conhecimento é lembrança de ideias; Agostinho transforma isso: a mente humana precisa da luz divina (Cristo interior) para apreender a verdade (De magistro).
Justificativa da alternativa E: o texto fala explicitamente de “a verdade que dentro de nós preside à própria mente” e de “Cristo… no homem interior”, ou seja, conhecimento guiado por uma luz/Presença interior — formulação clássica da iluminação divina. Referências: Agostinho, De magistro; Platão, Menon.
Análise das incorretas:
A — Doutrina dualista: próxima em tom platônico, mas afirma que o mundo é mero reflexo e que a verdade só vem à medida que o sujeito se purifica; o trecho enfatiza um Mestre interior que ilumina, não só uma separação ontológica radical — portanto impreciso.
B — Maniqueísmo: maniqueísmo postula dois princípios igualmente supremos (bem e mal). O trecho não apresenta essa bipartição ontológica nem a luta entre princípios, mas uma presença divina que ensina.
C — Teoria da causalidade: é conceito geral sobre causas de movimento/transformação; o texto trata do modo do conhecimento (iluminação interior), não de causalidade física.
D — Teoria do ser (Parmênides/Heráclito): referências históricas errôneas; Agostinho bebe mais em Platão/Neoplatonismo do que nas teses de Parmênides ou Heráclito citadas na alternativa.
Dica de prova: foque em palavras-chave do enunciado — “dentro de nós”, “Cristo… no homem interior”, “ensina verdadeiramente”. Elas apontam para iluminação, não para dualismo estrito, maniqueísmo ou causalidade.
Fontes: Agostinho, De magistro; Platão, Menon. Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
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Santo Agostinho, como filósofo e cristão, possui um pensamento que se relaciona com o neoplatonismo cristão.
Justificativa da alternativa E: o texto fala explicitamente de “a verdade que dentro de nós preside à própria mente” e de “Cristo… no homem interior”, ou seja, conhecimento guiado por uma luz/Presença interior — formulação clássica da iluminação divina. Referências: Agostinho, De magistro; Platão, Menon.
Análise das incorretas:
A — Doutrina dualista: próxima em tom platônico, mas afirma que o mundo é mero reflexo e que a verdade só vem à medida que o sujeito se purifica; o trecho enfatiza um Mestre interior que ilumina, não só uma separação ontológica radical — portanto impreciso.
B — Maniqueísmo: maniqueísmo postula dois princípios igualmente supremos (bem e mal). O trecho não apresenta essa bipartição ontológica nem a luta entre princípios, mas uma presença divina que ensina.
C — Teoria da causalidade: é conceito geral sobre causas de movimento/transformação; o texto trata do modo do conhecimento (iluminação interior), não de causalidade física.
D — Teoria do ser (Parmênides/Heráclito): referências históricas errôneas; Agostinho bebe mais em Platão/Neoplatonismo do que nas teses de Parmênides ou Heráclito citadas na alternativa.
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