Texto 1 Os gentios cuja conversão justificava a própria pre...
Os gentios cuja conversão justificava a própria presença europeia na América eram a mão de obra sem a qual não se podia cultivar a terra, defendê-la de ataques de inimigos, tanto europeus quanto indígenas, enfim, sem a qual o projeto colonial era inviável. [...] Os jesuítas defendiam princípios religiosos e morais e, além disso, mantinham os índios aldeados e sob controle, garantindo a paz na colônia. Os colonos garantiam o rendimento econômico da colônia, absolutamente vital para Portugal, desde que a decadência do comércio com a Índia tornara o Brasil a principal fonte de renda da metrópole. Dividida e pressionada de ambos os lados, concluem tais análises, a Coroa teria produzido uma legislação indigenista contraditória, oscilante e hipócrita.
PERRONE-MOISÉS, Beatriz. Índios livres e índios escravos. Os princípios da legislação indigenista do período colonial (séculos XVI a XVIII). In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. História do índio no Brasil. 2. ed. São Paulo: FAPESP, 1992, p. 116.
Texto 2
A dureza do tratamento, acrescentada à enorme concentração, estimulou nos negros de Minas Gerais constante rebeldia. Sucediam-se os assassinatos de brancos, as fugas e a formação de quilombos. […] Uma vez que a escravização de indígenas concorria com a venda de negros e restringia seu mercado, os traficantes de africanos não deixariam de aprovar a orientação dos jesuítas, mesmo que o fizessem apenas tacitamente. Por sua vez, os jesuítas recomendaram de maneira explícita a introdução de africanos como meio de afastar os colonos da exploração dos índios, além do que a Companhia de Jesus encheu de escravos negros seus próprios estabelecimentos econômicos.
Gorender, Jacob. Escravismo Colonial. 6. ed. São Paulo: Expressão Popular; Perseu Abramo, 2016, p. 486 e 516.
Sobre a escravidão indígena e africana no Brasil colonial, considera-se que
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Resposta correta: C
Tema central: a questão trata da tensão entre a legislação oficial sobre os índios no Brasil-colônia e as práticas reais de trabalho forçado, comparando a escravidão indígena e a africana. É relevante para concursos porque exige entender diferença entre norma e prática no período colonial e as implicações econômicas e religiosas.
Resumo teórico (sintético): oficialmente havia dispositivos legais e discursos que protegiam, em tese, os indígenas — sobretudo quando vinculados à evangelização (papel dos jesuítas) — e que restringiam a sua escravização indiscriminada. Porém, na prática, tanto indígenas quanto africanos foram submetidos ao trabalho forçado: os indígenas foram escravizados em guerras, apresamentos e pela cobrança de tributos; os africanos foram trazidos em grande escala para suprir demanda nos engenhos e minas. Autores como Beatriz Perrone‑Moisés, Manuela Carneiro da Cunha e Jacob Gorender discutem essa contradição entre legislação e prática.
Justificativa da alternativa C: a frase afirma que, apesar de leis indigenistas que em geral proibiam ou regulavam a escravização indiscriminada, no cotidiano ambas as formas de escravidão ocorreram. Isso sintetiza corretamente o argumento histórico: normas metropolitana/missionárias conviviam com apresamentos, trabalho forçado e comércio de indígenas, ao lado do tráfico e uso massivo de escravos africanos. As fontes do enunciado (Perrone‑Moisés; Gorender) sustentam essa leitura.
Análise das alternativas incorretas
A — incorreta: inverte a explicação. Não se preferiu indígena por serem “menos aptos” — ao contrário, indígenas foram alvo por proximidade e conhecimento do território; a preferência por africanos cresceu por razões econômicas, demográficas e de mercado, não por natural subserviência.
B — incorreta: exagera a concordância moral entre jesuítas e colonos. Os jesuítas defendiam aldeamentos e catequese (mas também utilizavam trabalho); colonos buscavam acesso à mão de obra. Havia conflito de interesses, não uma unidade de princípios morais.
D — incorreta: afirma que resistência indígena era incomum; isso é falso. Houve fugas, rebeliões e conflitos indígenas frequentes (bem como quilombos formados por africanos), conforme evidenciado por estudos regionais.
E — incorreta: nega qualquer concomitância ou concorrência entre formas de escravidão. Na realidade houve sobreposição, competição de mercados e substituições regionais entre indígenas e africanos.
Dica de resolução: ao ler enunciados, identifique palavras-chave como “embora”, “no cotidiano”, “em geral” — elas indicam contraste entre norma e prática, sinal típico de alternativa correta em questões históricas.
Principais referências úteis: Perrone‑Moisés, B.; Carneiro da Cunha, M.; Gorender, J. (obras citadas no texto de apoio).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
sim
sim
Clecione.batista
sim
sim
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo