Texto 1 A guerra justa foi utilizada na colônia pela primei...
A guerra justa foi utilizada na colônia pela primeira vez em 1562, contra os Caeté, que supostamente haviam devorado, em um ritual antropofágico, o primeiro bispo do Brasil, o bispo Sardinha […] Em janeiro de 1751, foi a vez do governador de Goiás, em carta ao rei Dom José, noticiar ao monarca sobre as “hostilidades” que os Kayapó do sul haviam feito aos Araxá “que não só lhe fizeram huma grande mortandade mas depois lhe cativarão todas as mulheres e crianças, as quais levarão para o seo alojamento para as comerem, porque sempre que tem ocasião se sustentão de carne humana”.
MORI, Robert. Os aldeamentos indígenas no caminho dos Goiases: guerra e etnogênese no “sertão do gentio kayapó” (sertão da farinha podre) – Séculos XVIII e XIX. Dissertação (mestrado em História). Universidade Federal de Uberlândia; Uberlândia; 2015, p. 38, 82.
Texto 2
Na década de 1740 "coincidiu" a criação dos primeiros aldeamentos indígenas da província de Goiás com a plena abundância das minas auríferas e florescimento febril dos arraiais. A preocupação da população era extrair o máximo possível de ouro; a do governador era cuidar para que o contrabando fosse coibido. […] Os índios não deveriam perturbar a economia da colônia e para que assim fosse existiam os quartéis-aldeamentos e o sertanista Antônio Pires de Campos, responsáveis pela manutenção da "ordem" criada pelos conquistadores para seu usufruto.
RAVAGNANI, Oswaldo Martins. A Agropecuária e os Aldeamentos Indígenas Goianos. Perspectivas, 9/10, São Paulo, 1986/1987, p. 119, 143.
A partir da leitura dos textos acima, podemos considerar que
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (11)
- Comentários (1)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Resposta correta: Alternativa C
Tema central: o uso da doutrina da “guerra justa” como instrumento ideológico para legitimar violência e dominação sobre povos indígenas no período colonial, especialmente no contexto dos aldeamentos e da expansão mineradora em Goiás.
Resumo teórico sucinto: A ideia de “guerra justa” tem raízes medievais (pensadores como Santo Agostinho e Tomás de Aquino sistematizaram-no) e foi apropriada pela monarquia e por agentes coloniais para justificar campanhas contra grupos indígenas, alegando práticas atrozes (ex.: antropofagia). Nos séculos XVII–XVIII, essa retórica serviu de pretexto para ações militares, aldeamentos e controle social, enquadradas também por interesses econômicos (garantia do trabalho e combate ao contrabando nas áreas auríferas).
Por que a alternativa C está correta: Os textos apresentados mostram exatamente essa dinâmica: a invocação da “guerra justa” e das acusações de antropofagia funcionaram como justificativa para ações de dominação em Goiás. Ravagnani destaca a atuação de quartéis-aldeamentos e governadores preocupados em manter a ordem econômica; Mori registra o recurso à retórica do horror (canibalismo) para legitimar hostilidades. Ou seja, a fórmula da “guerra justa” foi usada como pretexto para controlar e subjugar grupos indígenas.
Análise das alternativas incorretas:
A: Incorreta — os textos indicam intervenção provincial e agentes públicos (governador, quartéis-aldeamentos), não ação exclusivamente privada de Antônio Pires de Campos.
B: Incorreta — embora alianças entre indígenas existissem, os documentos mostram que a violência é articulada por colonizadores; reduzir tudo a conflitos interétnicos ignora o papel central da colonização e da justificativa estatal.
D: Incorreta — traz exemplo específico (Damiana e Manoel da Cunha) não presente nos textos; não há evidência de que os aldeamentos tenham fracassado em seu objetivo geral conforme o enunciado usado.
E: Incorreta — contradiz fontes: os aldeamentos envolveram atuação conjunta de poderes civil e eclesiástico; além disso, a escravização indígena persistiu em várias formas e o controle civil era relevante nas regiões mineradoras.
Dica de prova: Busque termos-chave no enunciado: “governador”, “guerra justa”, “aldeamentos”, “economia/contrabando”. Eles mostram intenção política e justificativa ideológica — sinal típico de alternativa que trata de pretexto colonial.
Fontes citadas: textos de Mori e Ravagnani (fornecidos). Contexto teórico: doutrina da guerra justa (Agostinho/Aquino) e estudos sobre aldeamentos e mineração no Brasil colonial.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
a guerra justa era só um pretexto em muita das ocasiões onde os colonizadores, donos de terra, bandeirantes só queria um motivo para exterminar e voltar a escravizar os indígenas não importando a cultura dos indígenas
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo