Texto 1 Jesus não era considerado Deus em sentido nenhum e ...
Jesus não era considerado Deus em sentido nenhum e se tornou divino em algum sentido para seus seguidores antes de ser considerado igual a Deus Todo-Poderoso em um sentido absoluto. Todavia, o ponto que saliento é que isto foi, de fato, um processo. A época em que o cristianismo surgiu, com suas afirmações exaltadas sobre Jesus, foi a mesma época em que o culto ao imperador começou a se propagar com força máxima, com suas afirmações exaltadas sobre o imperador. Os cristãos chamavam Jesus de deus na esteira dos romanos que chamavam o imperador de deus.
EHRMAN, Bart. Como Jesus se tornou Deus. Lisboa: Leya, 2014, p. 37.
Texto 2
O patriarca de Constantinopla opôs-se à ascensão de Anastácio e insistiu em que, como preço de sua coroação, fizesse uma profissão de fé confirmando que, em questões de fé e conduta, o imperador se sujeitava à vigilância não apenas da Igreja, mas especificamente do patriarca de Constantinopla. Anastácio ficou numa difícil posição. Era um monofisista convicto; o patriarca de Constantinopla, um seguidor de Calcedônia. […] Em 511, Anastácio depôs o patriarca e substituiu-o por um clérigo mais flexível.
ANGOLD, Michael. Bizâncio: a ponte da antiguidade para a Idade Média. Rio de Janeiro: Imago, 2002, p. 29.
Sobre o contexto das origens do cristianismo e partir dos textos acima, considera-se que
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Resposta certa: Alternativa E
Tema central: as origens do cristianismo e sua institucionalização junto ao poder imperial — como processos de construção teológica e política entre os séculos III–V.
Resumo teórico: o cristianismo nasceu no século I como movimento judeo-cristão e só ganhou status institucional quando se articulou com o Estado romano no século IV. A vitória política de Constantino (Edicto de Milão, 313) e a convocação do Concílio de Nicéia (325) representam marcos em que o Imperador passou a intervir oficialmente nas questões de fé. A institucionalização foi consolidada posteriormente (por exemplo, com o Edito de Tessalônica, 380), quando o cristianismo niceno tornou‑se religião oficial do Império.
Por que a alternativa E é a correta?
A alternativa E afirma que o início histórico da Igreja, enquanto instituição reconhecida pelo poder imperial, remonta ao Concílio de Nicéia (325), quando a instituição foi oficialmente criada pelo Império Romano. Embora o cristianismo exista desde o século I, os textos de apoio (Ehrman e Angold) enfatizam precisamente a intervenção imperial e o processo de institucionalização a partir do século IV. O exame avalia esse sentido institucional: Nicéia marca o momento em que o Estado assume papel decisivo na definição doutrinária e na organização eclesiástica — por isso, na ótica da questão, E é a alternativa que melhor sintetiza o contexto apresentado.
Análise das alternativas incorretas
A. Incorreta — o texto 2 evidencia o conflito entre imperador e patriarca e mostra que o imperador pôde depor um patriarca; longe de mostrar que a Igreja se sobrepunha ao imperador, mostra a primazia do poder imperial em muitos episódios.
B. Incorreta — o Texto 1 sugere influência mútua entre o culto imperial e as expressões de divinização de Jesus; por isso afirmar independência completa entre ambos não condiz com o argumento apresentado.
C. Incorreta — mistura conceitos: o Concílio de Nicéia (325) tratou da questão ariana/nicena; Chalcedônio (451) tratou da questão cristológica (mono/di/ect.). Além disso, o fato de haver dissensos posteriores não prova continuidade livre de sanções; a alternativa confunde eventos e termos.
D. Incorreta — contradiz o Texto 1, que destaca a construção gradual da crença na divindade de Jesus; não foi uma crença uniformemente presente desde o primeiro momento.
Dica de prova: procure termos que indiquem foco (institucional vs. doutrinal) e relacione datas-chave (313, 325, 380). Atenção a afirmações absolutas — muitas alternativas erram ao generalizar processos complexos.
Fontes úteis: Bart Ehrman (Como Jesus se tornou Deus), Michael Angold (Bizâncio); documentos-chave: Edito de Milão (313), Concílio de Nicéia (325), Edito de Tessalônica (380).
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Comentários
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Questão absurda e errada sob múltiplos pontos de vista.
questão errada em muitos níveis.
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