Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que o...

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Q1275772 Literatura
Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que ocorre ao estudioso é o do enorme fosso semiótico que separa, aparentemente de modo inconciliável, essas duas formas de expressão, fundadas, cada uma, em espécies de signos e códigos tão diferentes. A literatura, acredita-se, não vai ter nunca a mobilidade plástica do cinema, e este, por sua vez, nunca o nível de abstração da literatura. Por outro lado, por grande e intransponível que seja esse fosso, há um número considerável de semelhanças que podem ser apontadas e que mantêm literatura e cinema numa espécie de estado sincrônico de compatibilidade permanente.
BRITO. J.B. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.

Os diálogos entre literatura e cinema, frutos da reflexão de diversos pensadores, como o crítico de cinema paraibano João Batista de Brito, e da prática artística de inúmeros escritores e diretores, NÃO permitem concluir que
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico: o texto-base afirma que, apesar do “enorme fosso semiótico”, “há um número considerável de semelhanças” que mantêm literatura e cinema em “compatibilidade permanente”; por isso, a alternativa B, ao negar de forma absoluta a possibilidade de interação estética produtiva entre artes distintas, é a única incompatível com o enunciado e com o gabarito oficial.

Tema central: diálogo entre literatura e cinema
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a resposta porque é compatível com a ideia central do enunciado. A formulação sobre enriquecimento mútuo entre campos artísticos distintos converge com a noção de compatibilidade entre literatura e cinema. Embora o texto não use expressamente os termos “interdisciplinaridade” ou “interartisticidade”, a alternativa não contraria o fundamento central da questão.
B
Certa
A alternativa B é o gabarito porque contradiz diretamente a tese expressa no trecho de João Batista de Brito. O enunciado reconhece diferenças de código entre literatura e cinema, mas rejeita a inconciliabilidade absoluta ao afirmar semelhanças e “compatibilidade permanente”. Por isso, não se sustenta a afirmação de que nenhuma interação entre diferentes artes e linguagens possa gerar bons resultados estéticos. O erro decisivo da alternativa está na generalização negativa absoluta, incompatível com o texto-base.
C
Errada
Não é a resposta porque sustenta a existência de interação efetiva entre literatura e cinema no século XX, o que está de acordo com o texto-base. O critério eliminatório aqui é conceitual: a alternativa afirma diálogo histórico e formal entre as duas artes, e isso é compatível com a tese de semelhanças e compatibilidade permanente.
D
Errada
Não é a resposta porque, apesar da imprecisão histórica na delimitação do Modernismo, não é a alternativa que frontalmente contraria a tese central do enunciado. O critério decisivo da questão não é a periodização histórica do Modernismo, mas a possibilidade de diálogo estético entre literatura e cinema. Segundo a base e o gabarito oficial, o erro decisivo está apenas na negação absoluta dessa interação, presente em B.
E
Errada
Não é a resposta porque a alternativa confirma a ideia de diálogo entre literatura e cinema ao apresentar a literatura brasileira como fonte para o cinema nacional. Isso converge com o fundamento de compatibilidade entre as artes. A base ainda alerta que a alternativa pode suscitar discussão factual sobre os exemplos, mas isso não altera o critério principal de resolução.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler “fosso semiótico” como se significasse impossibilidade total de diálogo, ignorando que o próprio texto corrige essa impressão ao afirmar “semelhanças” e “compatibilidade permanente”; somado a isso, o comando pede a alternativa que NÃO se pode concluir.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões com comando negativo, identifique primeiro a tese afirmada no texto e procure a alternativa que a contradiz diretamente.
  • Quando o texto admite diferença entre linguagens, verifique se ele também afirma aproximação, compatibilidade ou influência; diferença de código não equivale a impossibilidade de diálogo.
  • Desconfie de alternativas com termos absolutos como “nenhuma”, “nunca” e “não pode” quando o texto-base trabalha com compatibilidade ou aproximações.
  • Não deixe imprecisões secundárias de outras alternativas sobrepor o critério central de resolução fixado pelo enunciado.

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