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Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2018 - UNESP - Vestibular - Segundo Semestre |
Q893660 Sociologia

“O homem que agride mulher é aquele que levanta todo dia e sai para trabalhar. Frequenta grupos sociais corriqueiros, como reuniões de pais em escolas. Ele se veste e age de forma socialmente aceita. Só que, ao chegar em casa, comporta-se de forma violenta para manter a qualquer custo o posto de autoridade máxima”, declara a magistrada Teresa Cristina dos Santos. A juíza afirma que a violência contra a mulher é a única forma democrática de violência. Vítimas e agressores são encontrados em todos os segmentos da sociedade. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, a despeito de a maioria ter entre 25 e 30 anos e baixa escolaridade, há agressores de todas as idades, condição financeira, nível de instrução e situação profissional. De acordo com a juíza Teresa Cristina, o enfrentamento da violência contra a mulher passa justamente por essa desmistificação de quem é o agressor. “Ao contrário dos crimes comuns, a violência contra a mulher é uma questão cultural”.

(Adriana Nogueira. “Violência contra a mulher vem do homem comum e pode atingir qualquer uma”. www.uol.com.br, 26.09.2017. Adaptado.)


A partir do texto, a violência contra a mulher na sociedade brasileira

Alternativas

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Gabarito: Alternativa D

Tema central: trata-se da natureza da violência contra a mulher — se é sobretudo econômica, política, patológica ou cultural. É preciso conhecer conceitos de gênero, patriarcado e masculinidade para responder corretamente.

Resumo teórico: violência de gênero é fruto de relações desiguais de poder entre homens e mulheres, enraizadas em normas sociais e culturais que legitimam a dominação masculina. Autores como Raewyn Connell (masculinidades hegemônicas) e organismos internacionais (WHO) apontam que essa violência é estruturada socialmente, não apenas individualmente. No Brasil, a Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) reconhece e combate formas de violência baseada em gênero.

Justificativa da alternativa D: a alternativa D afirma que o problema está "decisivamente associado ao significado cultural da masculinidade". Isso corresponde ao entendimento sociológico e ao trecho-base, que enfatiza a presença do agressor em todas as classes e a necessidade de desmistificar o perfil do agressor — ou seja, o fator determinante é cultural: normas, papéis de gênero e expectativas de autoridade masculina.

Análise das alternativas incorretas:

A (má distribuição de renda): embora desigualdade econômica possa agravar vulnerabilidades, a violência contra a mulher não tem como causa principal a pobreza — ocorre em todos os estratos sociais.

B (associação a regimes autoritários): regimes autoritários podem intensificar violências, mas a violência contra a mulher é um fenômeno social contínuo e não exclusivo de contextos políticos de exceção.

C (comportamento patológico): reduzir a violência a impulsos patológicos individualiza o problema e ignora as bases culturais e institucionais que a reproduzem.

E (origem inata): afirmar inatismo ignora as evidências sociológicas e antropológicas sobre a construção social de papéis de gênero.

Dicas de prova: procure palavras-chave no enunciado (ex.: "cultural", "desmistificação", "todos os segmentos"). Use eliminação — descarte alternativas que atribuem causa única (econômica, política, biológica) quando o texto aponta caráter social e cultural.

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