A obsessão do Estado por controlar todos os comportamentos ...
A obsessão do Estado por controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria ser o último recurso, depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre os indivíduos. É agora o primeiro recurso. Imagino potenciais crimes que os filhos dos nossos filhos terão receio de cometer:
• Crime de imposição de gênero: os pais deverão abster-se de identificar o gênero dos filhos tomando como referência o sexo biológico dos mesmos.
• Crime de apropriação cultural: serão severamente punidos os cidadãos que, alegando interesse cultural ou razões artísticas, se apropriem de práticas e temáticas de um grupo étnico a que não pertencem.
• Crime de envelhecimento público: com os avanços da medicina, será intolerável que um cidadão recuse tratamentos/cirurgias para ocultar/reverter o seu processo de envelhecimento, exibindo em público as marcas da decadência física ou neurológica.
• Crime de interesse sentimental não solicitado: será punido qualquer adulto que manifeste interesse sentimental não solicitado por outro adulto — através de sorriso, elogio, convite para jantar etc. O interesse sentimental de um adulto por outro será mediado por um advogado que apresentará ao advogado da parte desejada as intenções do seu cliente.
(João Pereira Coutinho. “Cinco potenciais crimes que gerações futuras terão receio de cometer”. www1.folha.com.br, 21.11.2017. Adaptado.)
O perfil antiutópico sugerido pelo autor para o mundo futuro reúne tendências de
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Alternativa correta: A
Tema central: a questão trata da relação entre Estado, poder e liberdade individual — especialmente do risco de um Estado controlador que substitui responsabilidade moral por regulação jurídica.
Resumo teórico: pense em conceitos-chave: paternalismo estatal (Estado intervindo para “proteger” cidadãos), controle social e formas totalitárias de regulação. Autores úteis: Max Weber (autoridade e racionalização), Michel Foucault (controle social e biopoder, Vigiar e Punir) e debates sobre Estado de Direito vs. Estado policial. Na constituição brasileira, por exemplo, o art. 5º garante direitos individuais — contraponto à regulação absoluta.
Por que A é correta? O texto descreve um Estado que criminaliza comportamentos íntimos e regula identidades, linguagem e emoções — sinal claro de depreciação da autonomia individual e fortalecimento de controles totalizantes. Assim, a alternativa A sintetiza precisamente a ideia antiutópica apresentada.
Análise das alternativas incorretas:
- B (errada): o enunciado indica redução da espontaneidade, não seu favorecimento.
- C (errada): o texto mostra expansão do “politicamente correto” ao ponto de virar lei — não sua desvalorização.
- D (errada): ocorre o oposto: a esfera jurídica é fortalecida para definir normas de comportamento, não desvalorizada.
- E (errada): o autor descreve restrições à autonomia, não sua disseminação.
Estratégia para resolver: identifique o efeito central descrito (mais controle estatal vs. mais liberdade). Em provas, busque palavras-chave do enunciado — “obsessão do Estado por controlar” já aponta para alternativas que falem em perda de autonomia/controle totalitário.
Fontes sugeridas para aprofundar: Michel Foucault, Vigiar e Punir; Max Weber, Economia e Sociedade; Constituição Federal (art. 5º).
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Comentários
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A. Correta.
B. A alternativa expressa sentido oposto ao defendido pelo texto que é a perda da espontaneidade humana devido a transformação de algumas atitudes em crime.
C. Não se trata de valorização ou desvalorização do chamado politicamente correto. Cuidado este é um termo de senso-comum que não é mencionado no texto. Cuidado com interpretação comuns e pejorativas.
D. Ao contrário do que propõe essa alternativa, o texto diz que a lei vem em primeiro lugar, antes da ética, educação, negociação e compromisso.
E. Novamente, a alternativa apresenta característica oposta à trazida pelo texto, pois não fala em autonomia individual, mas na perda dela.
depreciação da autonomia individual em favor do fortalecimento de diversas formas totalitárias de controle.
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