Considerados no contexto em que ocorrem, os trechos “exaltaç...

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Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: FGV Prova: FGV - 2014 - FGV - Administração Pública - Vestibular |
Q1338838 Português
A exaltação do indivíduo como representante dos mais elevados valores humanos que esta sociedade produziu, combinada ao achatamento subjetivo sofrido pelos sujeitos sob os apelos monolíticos da sociedade de consumo, produz este estranho fenômeno em que as pessoas, despojadas ou empobrecidas em sua subjetividade, dedicam-se a cultuar a imagem de outras, destacadas pelos meios de comunicação como representantes de dimensões de humanidade que o homem comum já não reconhece em si mesmo. Consome-se a imagem espetacularizada de atores, cantores, esportistas e alguns (raros) políticos, em busca do que se perdeu exatamente como efeito da espetacularização da imagem: a dimensão, humana e singular, do que pode vir a ser uma pessoa, a partir do singelo ponto de vista de sua história de vida.

                Eugênio Bucci e Maria R. Kehl, Videologias: ensaios sobre televisão. São Paulo: Boitempo, 2004.
Considerados no contexto em que ocorrem, os trechos “exaltação do indivíduo” e “achatamento subjetivo sofrido pelos sujeitos” estabelecem, entre si, relação de
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Tema central: Interpretação de texto – análise da relação semântica entre expressões no contexto do trecho apresentado, articulando elementos de coerência textual e sentido.

Justificativa da alternativa correta (A – Apresente contradição):

No texto, observamos a utilização dos termos “exaltação do indivíduo” e “achatamento subjetivo sofrido pelos sujeitos”. Pela norma-padrão e conforme as gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra), aparente contradição ocorre quando duas ideias parecem opostas ou incompatíveis mas, na verdade, explicam juntas um fenômeno mais complexo.

“Exaltação do indivíduo” sugere a valorização pública de certas pessoas (celebridades, políticos). Já o “achatamento subjetivo” aponta para a perda de unicidade e empobrecimento da experiência pessoal do sujeito comum. Ainda que contraponham valorização e empobrecimento, ambas as expressões coexistem para revelar o paradoxo da sociedade de consumo: exalta-se a imagem de poucos enquanto muitos perdem sua identidade individual. Isso gera aparente contradição, e não real, pois trata-se de uma ambiguidade proposital do autor para retratar o fenômeno social contemporâneo.

Análise das alternativas incorretas:

B) Redundância: Não procede, pois as duas expressões introduzem conceitos distintos (valorização versus esvaziamento), sem repetição de ideias.

C) Causa e consequência: O texto não define uma como resultado direto da outra; são aspectos paralelos do mesmo fenômeno.

D) Todo e parte: Não há hierarquia nem inclusão entre as expressões; não é possível considerar uma como um subconjunto da outra.

E) Oposição, do tipo positivo e negativo: A oposição real existe, mas reduzi-la a “positivo” e “negativo” é simplista e inconsistente com a elaboração do texto; apenas uma leitura atenta identifica que a contradição é aparente.

Dicas de interpretação: Sempre busque compreender qual ligação semântica o autor estabelece entre ideias (contradição, adição, causa, oposição etc.) e evite respostas simplistas. Atenção à complexidade das relações apontadas!

Gramáticas de referência: Bechara, Cunha & Cintra; para interpretação de textos, consulte Koch & Elias. Essas fontes aprofundam a importância da coerência textual e das relações de sentido.

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