Texto 1 Em Raízes do Brasil (São Paulo, Companhia das Letra...

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Q3107217 Sociologia
Texto 1
Em Raízes do Brasil (São Paulo, Companhia das Letras, 2016), Sérgio Buarque de Holanda argumenta que as formas de convívio social no país seriam ditadas preferencialmente por uma ética de fundo emotivo: a cordialidade. No entanto, a cordialidade não seria sinônimo de afetividade ou de gentileza. Ela corresponderia a um mecanismo de defesa do indivíduo diante da sociedade e reforçaria sentimentos particularistas e antipolíticos, característicos do ambiente doméstico. Ao tipo social guiado pela ética da cordialidade, o autor dá o nome de homem cordial.

Texto 2
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro) Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora... (...) Se trago as mãos distantes do meu peito É que há distância entre intenção e gesto” (Trecho da canção “Fado Tropical”, de Chico Buarque de Holanda, 1973).

Tendo em vista os textos 1 e 2, é possível afirmar que o homem cordial
Alternativas

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Alternativa correta: A

Tema central: o conceito de "homem cordial" de Sérgio Buarque de Holanda — comportamento em que a ética da cordialidade privatiza as relações sociais, substituindo normas públicas por laços pessoais e particularistas. A canção citada (Chico Buarque, "Fado Tropical", 1973) ilustra a tensão entre sentimento e ação, apontando como o afeto pode mascarar práticas autoritárias.

Resumo teórico: Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque descreve a cordialidade não como gentileza, mas como mecanismo defensivo que traz para o público valores do espaço doméstico: clientelismo, personalismo e antipolítica. Resultado: vínculos se tornam privatizados, causando particularismo em vez de universalismo nas relações sociais.

Justificativa da alternativa A: A alternativa afirma que o homem cordial adere a "normas de convívio personalizadas" e que há "centralidade de vínculos privados mesmo em espaços coletivos e públicos". Isso resume com precisão a ideia de Sérgio Buarque: relações públicas mediadas pelo privado, com preferência por laços pessoais em detrimento de impessoalidade institucional — portanto, A é correta.

Análise das alternativas incorretas:

B — Incorreta. Afirma que a cordialidade é "solidária" e de "cunho coletivo/supraindividual". Contrapõe o núcleo do conceito: cordialidade é emotiva e particularista, não uma ética coletiva ou de solidariedade impessoal.

C — Incorreta. Diz que a ética da cordialidade permite a impessoalidade dos vínculos. É o contrário: ela impede a impessoalidade, privilegiando relações pessoais e clientelistas.

D — Incorreta. Mistura parcialmente correto (origem doméstica dos valores) com uma ideia equivocada: "recinto doméstico, ambiente próprio da concorrência entre cidadãos" — o doméstico produz particularismo e proteção de interesses privados, não uma competição pública entre cidadãos como princípio regulador.

Dica de interpretação: Procure termos-chave nos enunciados — "privado", "personalizado", "particularista", "antipolítico" — que sinalizam a leitura correta. Cuidado com alternativas que invertam o efeito (por ex., dizendo "coletivo" ou "impessoal"), pois são pegadinhas típicas.

Fontes diretas: Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil; Chico Buarque, "Fado Tropical" (1973).

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Comentários

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A alternativa correta é:

A) manifesta adesão a normas de convívio pessoalizadas, marcadas pela ética da cordialidade e pela centralidade de vínculos privados mesmo em espaços coletivos e públicos.

Justificativa: Segundo Sérgio Buarque de Holanda, o homem cordial é aquele que age conforme uma ética emotiva, onde os vínculos particulares, baseados em relações pessoais e afetivas, se sobrepõem à impessoalidade que seria esperada em uma sociedade democrática e pública. A cordialidade não se traduz apenas em gentileza, mas em uma forma de defesa do indivíduo, caracterizando um comportamento marcado por particularismo e antipolítica. Isso se reflete no texto de Chico Buarque, que também explora a contradição entre o comportamento afetivo e as ações que nem sempre correspondem a esse afeto.

As outras alternativas não correspondem exatamente à descrição do "homem cordial" apresentada por Sérgio Buarque de Holanda:

  • B está incorreta porque descreve o "homem cordial" como alguém com uma prática coletiva e supraindividual, o que contraria a ênfase no particularismo da ética cordial.
  • C também está errada, pois o "homem cordial" não vê a sociedade como um ambiente de impessoalidade, mas como um espaço onde predomina a ética da cordialidade, que reforça vínculos privados.
  • D está incorreta porque a ética da cordialidade não se refere a uma "concorrência entre os cidadãos", mas sim a um comportamento de defesa do indivíduo, com uma forte marca de relações pessoais e particulares.

Portanto, a alternativa A é a que melhor se alinha com a análise apresentada nos textos.

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