Quando eu falo em adiar o fim do mundo, não é a este mundo ...

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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107207 História
Quando eu falo em adiar o fim do mundo, não é a este mundo em colapso que estou me referindo. Este tem um esquema tão violento que eu queria mais é que ele desaparecesse à meia noite de hoje e que amanhã a gente acordasse em um novo. No entanto, efetivamente, estamos atuando no sentido de uma transfiguração, desejando aquilo que o Nêgo Bispo chama de confluências, e não essa exorbitante euforia da monocultura, que reúne os birutas que celebram a necropolítica sobre a vida plural dos povos deste planeta. Ao contrário do que estão fazendo, confluências evoca um contexto de mundos diversos que podem se afetar. (...) Se o colonialismo nos causou um dano quase irreparável foi o de afirmar que somos todos iguais. (Adaptado de KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, p. 40-42, 2022.)

Assinale a alternativa que explicita a crítica de Krenak à monocultura, tal como é enunciada no excerto.
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa B

Tema central: a questão trabalha a crítica à “monocultura” entendida não só como técnica agrícola, mas como modelo cultural e político imposto pelo colonialismo que nega a pluralidade dos povos. Para resolver, é preciso distinguir monocultura agrícola de monocultura cultural/colonial.

Resumo teórico e fontes: - Monocultura pode ser leitura literal (latifúndio, agronegócio) ou metafórica (imposição de um único modo de ver o mundo). - Colonialismo promove homogeneização cultural e hierarquização de saberes (Krenak, 2022). - Necropolítica, conceito de Achille Mbembe, refere-se ao poder sobre a vida e a morte de populações, ligado a políticas de exclusão (Mbembe, 2003).

Justificativa da alternativa B: o excerto enfatiza que o dano do colonialismo foi “afirmar que somos todos iguais” e contrapõe confluências (mundos diversos que se afetam). Assim, Krenak critica a monocultura enquanto imposição de um único modelo cultural que recusa a pluralidade — exatamente o sentido da alternativa B.

Análise das alternativas incorretas:

A: mistura a monocultura estritamente ao problema agrícola e à necropolítica. Embora haja relação, o trecho focaliza a dimensão cultural/colonial, não apenas o latifúndio.

C: afirma que adiar o fim do mundo exige combater a monocultura agrícola — desloca o foco do texto, que trata de transformação cultural e de confluências, não exclusivamente de prática agrícola.

D: diz que a monocultura é resultado do colonialismo e da necropolítica. É uma construção vaga: o texto aponta o caráter colonizador da monocultura cultural, mas não reduz a monocultura apenas à necropolítica; a alternativa simplifica e mistura conceitos sem corresponder ao argumento central.

Estratégia para provas: atente para termos-chave do enunciado ("todos iguais", "confluências", "colonialismo"). Em questões de interpretação, privilegie a alternativa que reproduz com fidelidade o sentido global do texto, não apenas ideias parcialmente associadas.

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Quando eu falo em adiar o fim do mundo, não é a este mundo em colapso que estou me referindo. Este tem um esquema tão violento que eu queria mais é que ele desaparecesse à meia noite de hoje e que amanhã a gente acordasse em um novo. No entanto, efetivamente, estamos atuando no sentido de uma transfiguração, desejando aquilo que o Nêgo Bispo chama de confluências, e não essa exorbitante euforia da monocultura, que reúne os birutas que celebram a necropolítica sobre a vida plural dos povos deste planeta. Ao contrário do que estão fazendo, confluências evoca um contexto de mundos diversos que podem se afetar. (...) Se o colonialismo nos causou um dano quase irreparável foi o de afirmar que somos todos iguais. (Adaptado de KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, p. 40-42, 2022.)

O colonialismo ocorreu nas Américas e o Neocolonialismo ocorreu na África

O neocolonialismo não respeitou as diferenças étnicas existentes entre os povos africanos, dessa forma após a sua descolonização deu origem a guerras civis que perduram até os dias de hoje

GAB: B

Explicação: Ailton Krenak critica a monocultura não apenas como um modelo agrícola, mas como uma forma de pensamento que impõe um único padrão cultural e social, apagando a diversidade dos povos e suas formas de existência. Ele defende a ideia de confluências, ou seja, um mundo onde diferentes culturas coexistem e se influenciam mutuamente, em oposição à homogeneização imposta pelo colonialismo

O cara que fez essa questão fumou até o trafica@nt

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