Sócrates: − [...] Pois segundo entendo, no limite do cognosc...
Glauco: – Concordo também, até onde sou capaz de seguir a tua imagem.
(Adaptado de PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 517b6-c5.)
O diálogo anterior aparece em uma passagem da obra A República, de Platão, trecho que ficou conhecido como “o mito da caverna”. Sobre esse diálogo, assinale a alternativa correta.
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Alternativa correta: C
Tema central: trata-se do mito da caverna (Platão, A República, 517b–c) — a Ideia do Bem como princípio supremo que torna possíveis a verdade, o conhecimento e os valores (o justo e o belo), mas que só é alcançada com esforço filosófico.
Resumo teórico sucinto: em Platão, as Formas (Ideias) são realidades inteligíveis; a Ideia do Bem é a mais alta, comparada ao sol: ilumina e torna cognitivamente possíveis as outras Formas. Ela está "no limite do cognoscível": não é facilmente apreendida, exige ascensão intelectual (a saída da caverna). Uma vez conhecida, orienta corretamente a ação pública e privada (o filósofo-rei).
Justificativa da alternativa C: C afirma que a Ideia do Bem, embora difícil de conhecer, é indispensável para a tomada de boas decisões na cidade. Isso sintetiza corretamente o texto: o Bem não é prontamente cognoscível, mas quem o vê torna-se sensato e apto a governar. Referência direta: “é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública” (Platão, A República, 517b–c).
Análise das alternativas incorretas
A — incorreta: afirma que o Bem é prontamente visível aos habitantes da caverna. O mito mostra o contrário: os prisioneiros veem apenas sombras; só o que sai da caverna pode avistar o sol/Ideia do Bem.
B — incorreta: diz que a Ideia do Bem já orienta o comportamento dos habitantes da caverna. Na verdade, apenas o filósofo que alcança o Bem é capaz de orientar corretamente; os prisioneiros permanecem desorientados e iludidos.
D — incorreta: afirma que o Bem permanece incognoscível a todos. Platão não o torna absolutamente inacessível; ele está "no limite do cognoscível" e pode ser avistado com esforço intelectual — portanto não é totalmente incognoscível.
Estratégias para resolver enunciados assim: procure termos-chave do texto (ex.: “limite do cognoscível”, “é preciso vê-la”) e evite alternativas que contenham absolutismos (sempre/todos/imediatamente) que contradizem a nuance platônica. Relacione o enunciado ao papel do filósofo-rei e à analogia do sol.
Fontes: Platão, A República (passagem do mito da caverna, 517b–c). Boa revisão: introduções a Platão em manuais de filosofia para concursos.
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Comentários
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Na alegoria da caverna, os habitantes que lá estão, acorrentados, veem apenas projeções do que seria a realidade, até que um deles escapa e conegue alcançar a verdade (o bem, o belo...).
Por mais que não facilmente compreendida, era fundamental (e imprescindível) que um governante tivesse consigo o bem, a verdade; em outras palavras um "rei filósofo".
Gab - C
A alternativa C diz:
C - Embora não seja facilmente cognoscível, a Ideia do Bem – enquanto causa do justo e do belo – não é prescindível para a tomada de boas decisões na cidade.
A alternativa C está de fato correta.
Explicação: No Mito da Caverna de Platão, a Ideia do Bem é considerada a causa do justo, do belo, da verdade e da inteligência. Embora seja difícil de ser compreendida e exigente para ser alcançada, a Ideia do Bem é essencial para se tomar boas decisões, tanto individuais quanto coletivas (na cidade). Platão argumenta que sem o entendimento da Ideia do Bem, não é possível compreender plenamente o que é justo ou bom, o que prejudicaria o funcionamento da cidade (política) e da vida individual.
Então, em resumo, a Ideia do Bem não é fácil de ser cognoscível, mas é absolutamente necessária para a sabedoria e para tomar decisões corretas, tanto na vida pessoal quanto na vida pública.
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