Clarice Lispector, na obra A hora da estrela, traz visão da ...

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Ano: 2010 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE - 2010 - UNB - Vestibular 2° Semestre 2010 - Primeiro Dia |
Q216183 Literatura
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Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue os itens

Clarice Lispector, na obra A hora da estrela, traz visão da morte como epifania, entendida como a realização do ser, na apreensão do instante em que se dá a revelação de uma realidade fragmentária, ou seja, a vida cotidiana de Macabéa, com a superação do ‘não-ser’, visão essa que não se opõe, no entanto, à promessa feita pela cartomante a Macabéa.
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A questão está Certa porque a análise da morte de Macabéa em A Hora da Estrela como uma epifania (revelação suprema) condiz com a visão filosófica de Clarice Lispector, sem contradizer a promessa da cartomante. Vamos explicar passo a passo:

1. A morte como epifania em Clarice Lispector

  • Epifania: Momento em que o personagem tem uma revelação transcendente sobre sua existência.
  • No trecho, Macabéa, ao morrer, experimenta uma "úmida felicidade suprema" e pronuncia "Quanto ao futuro", sugerindo que, na morte, ela realiza plenamente seu ser (superando o "não-ser" de sua vida opressiva).
  • A frase "Ela estava enfim livre de si e de nós"* reforça que a morte é uma libertação e uma forma de existir autenticamente, mesmo que fugazmente.

2. A promessa da cartomante NÃO se opõe a essa visão

  • A cartomante previu um futuro glorioso para Macabéa (casamento, dinheiro, felicidade), mas isso não invalida a epifania da morte.
  • A ironia clássica de Clarice está justamente no contraste entre a promessa ilusória (falsa esperança) e a revelação genuína na morte (único momento em que Macabéa "existe").
  • A cartomante representa o mundo das aparências, enquanto a morte é a verdade essencial da personagem.

3. Fragmentação da realidade cotidiana

  • A vida de Macabéa é retratada como vazia e marginalizada ("uma galinha de pescoço mal cortado").
  • A morte, porém, reorganiza essa fragmentação: no instante final, ela apreende sua existência ("eu sou, eu sou"), ainda que de forma trágica.

4. Por que a questão está correta?

  • A epifania da morte não anula a promessa da cartomante, mas a transcende (a realização do ser acontece apesar da ilusão).
  • Clarice Lispector mostra que a verdadeira "hora da estrela" de Macabéa é justamente o momento da morte, onde ela toca o divino ("Será esta a graça a que vós chamas Deus?").

Resposta final: Certo ✅. A epifania da morte é a culminação da existência de Macabéa, e a promessa da cartomante serve como contraponto irônico, sem invalidar a revelação final.

 

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