Todas as afirmativas sobre a construção estética ou a produç...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2010 Banca: UFF Órgão: UFF Prova: UFF - 2010 - UFF - Vestibular-1º Etapa |
Q215644 Português
Todas as afirmativas sobre a construção estética ou a produção textual do poema de Gregório de Matos (Texto VII) estão adequadas, EXCETO uma. Assinale-a.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: A alternativa C é a incorreta porque atribui ao poema uma “ausência de métrica” e, com isso, o aproxima indevidamente do Modernismo, embora o texto de Gregório de Matos pertença ao Barroco e apresente elaboração formal compatível com a poesia metrificada tradicional. Isso contraria marcas internas do poema, como “Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás, e estou do nosso antigo estado!”, que evidenciam vocativo, personificação e contraste.

Tema central: traços do Barroco
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a exceção porque a afirmação está adequada. O poema trabalha contrastes característicos do Barroco, como em “Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás, e estou do nosso antigo estado!”, além de oposições de estado e valor, como passado/presente, riqueza/pobreza e produto local/mercadoria estrangeira. O critério decisivo aqui é a presença de antítese construída por contraste semântico, não apenas por antônimos isolados.
B
Errada
Não é a exceção porque a personificação está efetivamente no texto. A Bahia é tratada como interlocutora e recebe estatuto discursivo de ser animado, como em “Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado”. O erro seria negar esse recurso, já que o poema não apresenta a Bahia como simples cenário, mas como entidade com quem o eu lírico fala.
C
Certa
A alternativa C é a exceção porque introduz um critério que não se sustenta no poema nem em sua filiação estética. A base afirma que o texto de Gregório de Matos pertence ao Barroco e apresenta elaboração formal compatível com poesia metrificada tradicional, não com verso livre modernista. Portanto, o erro não está apenas na menção ao Modernismo, mas no encadeamento inteiro: supor ausência de métrica e, a partir disso, tirar uma conclusão estética incompatível com o poema.
D
Errada
Não é a exceção porque o vocativo está explícito no verso inicial: “Triste Bahia!”. Esse chamamento direto, reforçado por formas como “te”, “ti” e “tua”, transforma a Bahia em interlocutora do eu lírico. O critério decisivo é reconhecer a função de chamamento, e não confundir “Bahia” com termo apenas descritivo.
E
Errada
Não é a exceção porque o poema estabelece diferença valorativa entre o local e o estrangeiro. Em “Deste em dar tanto açúcar excelente / Pelas drogas inúteis, que abelhuda / Simples aceitas do sagaz Brichote.”, o produto local é valorizado, enquanto a mercadoria estrangeira e o agente externo recebem marcação crítica. O critério que elimina a dúvida é a oposição semântica e axiológica entre riqueza local e exploração externa.
Pegadinha da questão
A banca explora a associação indevida entre poema antigo e Modernismo com base na falsa ideia de “ausência de métrica”, desviando o candidato das marcas realmente presentes no texto: vocativo, personificação e contrastes barrocos.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de estética literária, confirme primeiro os traços efetivamente visíveis no texto antes de aceitar associação com outro período.
  • Se a alternativa falar em escola literária, verifique se ela decorre de marcas internas reais do poema ou de uma aproximação anacrônica.
  • Reconheça antítese também quando o contraste aparece entre estados e valores, não só em pares de palavras opostas.
  • Quando houver chamamento direto a lugar, cidade ou entidade coletiva, considere a possibilidade de vocativo e personificação.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo