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Ano: 2015 Banca: INSPER Órgão: INSPER Prova: INSPER - 2015 - INSPER - Engenharia |
Q1338696 Conhecimentos Gerais
Na segunda metade do século XIX, o compositor russo Modest Mussorgsky resolveu fazer uma homenagem a Viktor Hartmann, um pintor amigo seu que havia falecido recentemente. Ele então compôs uma suíte, chamada Quadros de uma Exposição, em que dez telas do amigo tornaram‐se dez peças para piano. Anos mais tarde, o francês Maurice Ravel orquestrou essa composição, o que contribuiu decisivamente para que a suíte ficasse conhecida. Considerando as possíveis relações entre os quadros de Hartmann e suas “versões” musicais de Mussorgksy, é correto concluir que
Alternativas

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Resposta correta: C

Tema central: intermedialidade e adaptação artística — como uma obra em uma linguagem (pintura) pode motivar outra em linguagem distinta (música) sem ser mera cópia. A questão exige compreender que inspiração e “tradução” entre artes produzem novos códigos e estruturas.

Resumo teórico (claro e progressivo): obras em mídias diferentes comunicam através de códigos próprios: a pintura usa cor, composição e espaço; a música, timbre, melodia, harmonia e forma. A teoria da adaptação e da intermedialidade (cf. Linda Hutcheon, A Theory of Adaptation; estudos de musicologia como Grove/Britannica sobre Mussorgsky) mostra que uma obra inspirada noutra conserva laços de sentido, mas cria uma organização autônoma — isto é, torna‑se nova obra artística.

Justificativa da alternativa C: Mussorgsky compôs a suíte "Quadros de uma Exposição" motivado pelas telas de Hartmann; contudo, ele organizou temas, variações, desenvolvimento harmônico e forma musical própria. Logo, embora baseada em imagens, a suíte opera por estruturas musicais distintas e constitui uma obra nova — exatamente o que afirma a alternativa C.

Análise das alternativas incorretas (por que erram):

A — “toda forma de expressão pode ser adaptada mantendo todos os significados originais” — FALSA. A adaptação envolve transformação; muitos significados visuais não têm equivalentes sonoros e, quando transpostos, ganham novos sentidos.

B — “são manifestações muito distintas, o que explica a demora do reconhecimento” — FALSA. Embora sejam distintas, a demora no reconhecimento não se explica por essa diferença; no caso, a orquestração de Ravel é que impulsionou a divulgação.

D — “é impossível ouvir a suíte sem conhecer as telas” — FALSA. A música funciona autonomamente; conhecer as pinturas enriquece a experiência, mas não é condição para compreensão musical.

E — “pouca divulgação mostra dificuldade de ‘traduzir’” — FALSA. A divulgação é determinada por fatores históricos e performáticos; além disso, a suíte tornou‑se famosa após Ravel, contrariando a afirmação.

Dica de prova: desconfie de termos absolutos ("toda", "impossível") e de relações de causa sem evidência. Procure palavras‑chave do enunciado (aqui: “embora motivada”, “opera com outro tipo de estrutura”, “nova obra”). Elas indicam resposta que reconhece inspiração sem confundir identidade entre linguagens.

Referências rápidas: Encyclopaedia Britannica — Mussorgsky; fundamentos de adaptação e intermedialidade (Linda Hutcheon).

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