EDUCAÇÃO CULINÁRIA Em um país de tanta abundância e tã...
Em um país de tanta abundância e tão pouca oportunidade para tantos, há quem acredite que a nova classe C está destinada a ficar por cima da carne seca e tirar a barriga da miséria. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam fritados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação seja eternamente cozinhada em banho-maria. Aliás, quem é que não sabe que tudo aqui acaba em pizza?
No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce. Geleia global. Tudo bem que os americanos tenham o seu “piece of cake”, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo em que eles só souberam da fartura e não sentiram na carne o que é ter de descascar um abacaxi, resolver um pepino, encarar uma batata quente e enfrentar o angu de caroço que é o nosso dia.
Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E comem como poucos...
OLIVEIRA, José Paulo. Revista Língua Portuguesa. Ano 7. Nº 78. Abril de 2012.
Do texto, infere-se que o autor José Paulo Oliveira
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O comando pede uma inferência sobre a atitude do autor diante das expressões figuradas ligadas à alimentação. Como o texto mobiliza essa cadeia de imagens para representar criticamente a realidade social e política brasileira, sem rejeitá-las, o critério decisivo é a valorização funcional desse repertório; por isso, a alternativa correta é a B.
- Quando o comando pedir inferência sobre o autor, observe a atitude discursiva dele diante do recurso linguístico usado, e não apenas o tema mencionado.
- Se o texto acumula expressões idiomáticas e metáforas, isso indica exploração expressiva do repertório, não rejeição dele.
- Elimine alternativas que troquem linguagem conotativa por denotativa ou que imponham rótulo técnico incompatível com o funcionamento real do texto.
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Gab. B
Quando falamos em expressões denotativas estamos nos referindo à palavras cujo uso implica em uma interpretação/significação limitada. Isto é, em seu sentido comum, conforme os dicionários. Em outras palavras, o significado será o mesmo, independente do contexto no qual a palavra se apresenta. A linguagem conotativa é clara e objetiva.
Por outro lado, ao utilizarmos o sentido conotativo, estamos utilizando um sentido figurado. Isso significa que estamos atribuindo às palavras um significado mais amplo do que aquele que está definido nos dicionários. Ocorre uma mudança de sentido. A linguagem denotativa é simbólica e expressiva.
Logo, uma proposta de substituição das expressões seria:
Em um país com tanta abundância e tão pouca oportunidade para tantos, há quem acredite que a nova classe C está destinada a ficar por cima da carne seca e (1) deixar de passar fome. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam (2) drogados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação seja eternamente (3) lenta e ineficiente e (4) sempre possa esperar. Aliás, quem é que não sabe que tudo aqui (5) acaba impune? No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce. (6) Contraditório. Tudo bem que os americanos tenham o seu piece of cake, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo em que eles só souberam da fartura e não (7) sabiam o que é ter de (8) lidar com situações complicadas, (9) resolver um problema, (10) enfrentar uma dificuldade e enfrentar o angu de caroço que é o nosso dia a dia.Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E comem como poucos...
Fonte: Brainly, resposta de Anaise Nobrega
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