A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar c...

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Ano: 2010 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2010 - UNESP - Vestibular - Segundo Semestre |
Q535014 Literatura

A cada canto um grande conselheiro,

Que nos quer governar cabana, e vinha,

Não sabem governar sua cozinha,

E podem governar o mundo inteiro.

(...)

Estupendas usuras nos mercados,

Todos, os que não furtam, muito pobres,

E eis aqui a Cidade da Bahia.


(Gregório de Matos. “Descreve o que era realmente naquelle tempo

a cidade da Bahia de mais enredada por menos confusa”,

in Obra poética (org. James Amado), 1990.)


O poema, escrito por Gregório de Matos no século XVII,

Alternativas

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Gabarito: A

O que precisava saber: Era necessário reconhecer que o poema pertence à poesia satírica de Gregório de Matos e que seu foco está na crítica à vida urbana e política da Bahia colonial. Os versos ironizam governantes incapazes de administrar a própria casa e denunciam usura, pobreza e desonestidade social, traços ligados à sátira barroca.

Critério decisivo: O ponto decisivo foi identificar o tom satírico dirigido aos governantes e à corrupção na Bahia colonial, exatamente como indica a base: crítica social e política, com ironia mordaz, típica de Gregório de Matos no contexto barroco.

Tema central: Barroco brasileiro; sátira social e política em Gregório de Matos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque sintetiza os dois núcleos expressos no poema segundo a base: a satirização dos governantes, mostrados como quem quer governar tudo sem conseguir governar a própria casa, e a denúncia da desonestidade e da exploração econômica, visível nas referências a usuras e pobreza. Isso corresponde diretamente à sátira social e política de Gregório de Matos na Bahia colonial.
B
Errada
Está incorreta porque a base afirma que não há defesa de independência brasileira nem postura nativista. O foco do poema é a crítica social local, voltada à corrupção, aos governantes e à desordem da Bahia colonial.
C
Errada
Está incorreta porque a base indica contexto barroco, não neoclássico. Além disso, o poema não trata de problemas de moradia, mas de governo, usura, pobreza e desonestidade social.
D
Errada
Está incorreta porque a base afasta qualquer relação com o modernismo. O poema não se centra na revelação da identidade brasileira, e sim na crítica moral, social e política própria da sátira barroca.
E
Errada
Está incorreta porque a base afirma que não há valorização parnasiana da forma. O texto é anterior ao Parnasianismo e se caracteriza pela sátira e pela crítica social e política, não por um projeto formal parnasiano.
Pegadinha da questão
A principal pegadinha era confundir uma crítica social barroca com movimentos posteriores ou com nacionalismo. A base alerta para três desvios comuns: ler o poema como nativista, associá-lo ao modernismo ou ao parnasianismo, e perder o foco na ironia central sobre governantes incapazes e corrupção urbana.
Dica para questões semelhantes
  • Quando aparecer Gregório de Matos com tom agressivo e irônico, verifique se a questão aponta para sátira social e política do Barroco.
  • Se os versos atacam autoridades, corrupção, usura ou desordem social, o eixo de interpretação deve ser crítica moral e política, não identidade nacional ou independência.
  • Desconfie de alternativas que atribuam ao texto barroco características de movimentos posteriores, como Modernismo, Parnasianismo ou Neoclassicismo.

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Comentários

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Gregório de Matos é considerado um dos maiores poetas do barroco em Portugal e no Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. No texto em destaque, ele satiriza os governantes e o comportamento desonesto na sociedade baiana da época.

autores do barroco:

Portugal(padres)- Antônio Vieira, Manuel Bernardes, Francisco de Melo

Brasil-Bento Teixeira, Gregório de Matos Guerra, Frei Manoel de Itaparica

Não são todos, mas só com isso já dava para tirar a C, D e E que falam de outros movimento;

a B está errada por motivos óbvios;

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