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Ano: 2010 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2010 - UNESP - Vestibular - Segundo Semestre |
Q535011 História
A Ilíada, de Homero, data do século VIII a.C. e narra o último ano da Guerra de Troia, que teria oposto gregos e troianos alguns séculos antes. Não se sabe, no entanto, se esta guerra de fato ocorreu ou mesmo se Homero existiu. Diante disso, o procedimento usual dos estudiosos tem sido:
Alternativas

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Alternativa correta: B

Tema central: crítica das fontes históricas. A questão avalia se você sabe como os historiadores tratam textos antigos (como a Ilíada) — não simplesmente como “verdade literal” nem como inúteis, mas como fontes que exigem leitura crítica para identificar pistas sobre mentalidades, valores e estruturas sociais.

Resumo teórico: a metodologia histórica trabalha com crítica externa (autoria, data, transmissão) e crítica interna (intenção, representações, valores). Obras literárias são valiosas para reconstruir mentalidades, práticas sociais e crenças religiosas, mesmo quando não relatam eventos com precisão cronológica. (Ver: Marc Bloch, Apologia da História; práticas de arqueologia como as escavações de Heinrich Schliemann em Tróia.)

Por que B é correta: ela expressa o procedimento historiográfico adequado: usar a Ilíada para identificar traços da sociedade grega — a exaltação da guerra, a presença dos deuses na vida humana, hierarquias e costumes — sem exigir que o poema seja um relato factual neutro. É o equilíbrio entre crítica da fonte e aproveitamento de seu conteúdo cultural.

Análise das alternativas incorretas

A — Incorreta. Historiadores não descartam fontes por incerteza sobre procedência; aplicam crítica documental. Descartar é postura dogmática e impraticável.

C — Incorreta. Reconhecer parcialidade do autor faz parte da crítica, mas “desconfiar” apenas por ser grego simplifica demais: toda fonte tem ponto de vista; isso não a anula como evidência.

D — Incorreta. A complexidade do texto não prova automaticamente historicidade literal. A arqueologia encontrou camadas que sugerem ocupação em Tróia, mas isso não transforma a Ilíada em relatório histórico puro.

E — Incorreta. Embora a Ilíada seja literária, obras literárias são utilizadas como fontes históricas para aspectos culturais e ideológicos; não se descartam por serem “não científicas”.

Dica de prova: ao enfrentar enunciados sobre “procedimento dos estudiosos”, procure termos como usar, identificar, desconsiderar ou acreditar sem provas. Prefira alternativas que refletem método crítico e uso contextual das fontes.

Fontes sugeridas: Marc Bloch, Apologia da História; estudos sobre Tróia (escavações de Schliemann e trabalhos posteriores) e manuais de metodologia histórica.

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