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Ano: 2010 Banca: UFF Órgão: UFF Prova: UFF - 2010 - UFF - Vestibular-1º Etapa |
Q215638 Filosofia
Na Idade Média, se considerava que o ser humano podia alcançar a verdade por meio da fé e também por meio da razão. Ao mesmo tempo, o poder religioso (Igreja) e o poder secular (Estado) mantinham relacionamento político tenso e difícil. O filósofo Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção destinada a conciliar FÉ e RAZÃO, bem como IGREJA e ESTADO.

De acordo com as idéias desse filósofo,
Alternativas

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Alternativa correta: D — A Igreja e o Estado são, em certa medida, conciliáveis.

Tema central: compreensão da posição de Tomás de Aquino sobre a relação entre fé e razão e entre Igreja (poder espiritual) e Estado (poder temporal). Essencial para questões de história da filosofia e de teoria política: distingue competências e mostra conciliação, não fusão nem subordinação radical.

Resumo teórico (claro e progressivo):

1) Para Tomás, fé e razão não se contradizem: a razão pode alcançar verdades naturais; a fé revela verdades sobrenaturais. Ambos provêm de Deus e, quando bem entendidos, harmonizam-se (ver Summa Theologiae; referência: Tomás de Aquino, Summa Theologiae; cf. De Regno).

2) Na esfera política, Tomás adota a ideia de duas ordens com competências distintas: o domínio espiritual (igreja) e o domínio temporal (princeps/Estado). Cada qual tem autoridade legítima em seu campo; isso permite cooperação e limites mútuos.

3) A base normativa é a lei natural: o poder temporal visa o bem comum temporal; o poder espiritual visa o bem supremo. Ambos devem respeitar a justiça e a ordem moral.

Justificativa da alternativa D: Tomás defende conciliação: a Igreja orienta sobre fins últimos e moral; o Estado governa bens terrenos. Logo, são conciliáveis e complementares — nem totalmente separados nem fundidos. Ele rejeita tanto a submissão absoluta de um ao outro quanto a incompatibilidade total.

Análise das alternativas incorretas:

A (Estado subordinar‑se à Igreja): incorreta — Tomás não exige subordinação total do poder temporal ao espiritual; reconhece autonomia funcional do Estado em assuntos temporais.

B (Igreja e Estado mutuamente incompatíveis): incorreta — ele busca precisamente conciliar as esferas, não torná‑las impossíveis de conviver.

C (fusão numa só entidade): incorreta — Tomás preserva distinção de competências; fusão geraria confusão de finalidades.

E (Igreja subordinar‑se ao Estado): incorreta — também falsa; a Igreja tem autoridade sobre questões espirituais e morais que o Estado não pode usurpar.

Estratégias para resolver questões assim: procure palavras‑chave: “conciliar”, “subordinar”, “fundir”, “incompatível”. Lembre que Tomás é conciliador entre fé e razão; aplique essa mesma lógica à relação Igreja/Estado. Evite respostas extremas (total subordinação ou separação absoluta).

Fontes recomendadas: Tomás de Aquino, Summa Theologiae; Tomás, De Regno; sínteses em história da filosofia medieval e estudos sobre a “doutrina das duas espadas” (carta de Gelásio como referência histórica).

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Letra D

No campo da política, Santo Tomás de Aquino dividiu as leis em lei natural (visando a preservar a vida), lei positiva (estabelecida pelo homem, visando a preservar a sociedade) e lei divina (que conduz o homem à vida cristã e ao paraíso, guiando as outras leis). Para Aquino, como para Aristóteles, o homem é um animal social e político: a família é a primeira associação, e o Estado, sua ampliação e continuação. O Estado, assim, deve existir, desde que subordinado, no que diz respeito à religião e à moral, à Igreja, a qual visa ao bem eterno das almas. Essa foi a concepção dominante da Igreja Católica, que seria depois combatida por Maquiavel.

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