Durante a Idade Média

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Ano: 2009 Banca: UEFS Órgão: UEFS Prova: UEFS - 2009 - UEFS - Vestibular - História, Geografia e Matemática |
Q1372240 História
Em 1900, Sigmund Freud escrevia:

[...] Apaixonar-se por um dos pais e odiar o outro figuram entre os componentes essenciais do acervo de impulsos psíquicos que se formam nessa época [a infância] e que é tão importante na determinação dos sintomas da neurose posterior. [...] Essa descoberta é confirmada por uma lenda da Antiguidade Clássica que chegou até nós: uma lenda cujo poder profundo e universal de comover só pode ser compreendido se a hipótese que propus com respeito à psicologia infantil tiver validade igualmente universal. O que tenho em mente é a lenda do Rei Édipo e a tragédia de Sófocles que traz o seu nome. Édipo, filho de Laio, Rei de Tebas, e de Jocasta, foi enjeitado quando criança porque um oráculo advertira Laio de que a criança ainda por nascer seria o assassino de seu pai. A criança foi salva e cresceu como príncipe numa corte estrangeira, até que, em dúvida quanto a suas origens, também ele interrogou um oráculo e foi alertado para evitar sua cidade, já que estava predestinado a assassinar seu pai e receber sua mãe em casamento. Na estrada que o levava para longe do local que ele acreditava ser seu lar, encontrou-se com o Rei Laio e o matou numa súbita rixa. Em seguida, dirigiu-se a Tebas e decifrou o enigma apresentado pela Esfinge que lhe barrava o caminho. Por gratidão, os tebanos fizeram-no rei e lhe deram a mão de Jocasta em casamento. Ele reinou por muito tempo com paz e honra, e aquela que, sem que ele o soubesse, era sua mãe deu-lhe dois filhos e duas filhas. Por fim, então, irrompeu uma peste e os tebanos mais uma vez consultaram o oráculo. É nesse ponto que se inicia a tragédia de Sófocles. Os mensageiros trazem de volta a resposta de que a peste cessará quando o assassino de Laio tiver sido expulso do país. (CAMPOS & MIRANDA, 2005, p. 67-68).
Durante a Idade Média
Alternativas

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Alternativa correta: C

Tema central: a circulação e preservação do legado filosófico grego durante a Idade Média. A questão avalia quem, entre os agentes culturais medievais, atuou de modo decisivo na apropriação, tradução e difusão das obras gregas.

Resumo teórico: após o declínio do Império Romano, muitos textos gregos foram preservados e comentados no mundo islâmico (séculos VIII–12). Centros como a Casa da Sabedoria em Bagdá e a escola de tradutores de Toledo promoveram traduções do grego e do siríaco para o árabe e depois para o latim. Filósofos como Al-Kindi, Al-Farabi, Avicena (Ibn Sînâ) e Averróis (Ibn Rushd) leram, comentaram e transmitiram Aristóteles e Platão, possibilitando a redescoberta desses autores na Europa e influenciando a escolástica (ex.: Tomás de Aquino).

Justificativa da alternativa C: A alternativa afirma que “a cultura muçulmana se apropriou de muitas das concepções filosóficas gregas, contribuindo para a preservação desse legado cultural.” Isso é historicamente correto: a transmissão e os comentários islâmicos foram fundamentais para que a ciência e a filosofia antigas chegassem ao Ocidente medieval.

Análise das alternativas incorretas

A — incorreta: o teatro medieval desenvolveu-se a partir do drama litúrgico e das peças de mistério/moralidade, não como mera imitação do teatro grego para atrair fiéis.

B — incorreta: a nobreza raramente foi o agente intelectual que “usou” a filosofia grega para contestar a Igreja; o debate filosófico ocorreu principalmente em escolas, monastérios e universidades, e a recepção aristotélica se deu por vias acadêmicas, não por iniciativas políticas diretas da nobreza.

D — incorreta: embora houvesse tensões, a Igreja não negou por completo a cultura grega; muitos textos foram traduzidos e estudados no âmbito cristão (escolástica) — houve filtro crítico, mas não rejeição absoluta.

E — incorreta: monges copistas foram parte central na preservação de manuscritos; afirmar que destruíram “a grande totalidade” é uma generalização falsa. Houve perdas, porém os mosteiros foram centros de conservação textual.

Dica de prova: desconfie de enunciados absolutos ("por completo", "grande totalidade"). Busque agentes históricos reais (Casa da Sabedoria; Toledo; Averróes; Avicena) e períodos (séculos VIII–XIII) para validar a resposta.

Fontes sugeridas: Encyclopaedia Britannica (entradas sobre "House of Wisdom", "Averroes", "Medieval philosophy"); obras sobre a transmissão do saber, como estudos da escola de tradutores de Toledo.

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Comentários

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Verdade.

A cultura muçulmana desempenhou um papel fundamental na preservação e transmissão do pensamento filosófico grego, especialmente durante a Idade Média. Filósofos islâmicos como Avicena (Ibn Sina) e Averróis (Ibn Rushd) estudaram, traduziram e comentaram as obras de Aristóteles, Platão e outros pensadores gregos, contribuindo para a disseminação dessas ideias na Europa.

Muitos textos da filosofia grega, que poderiam ter se perdido após a queda do Império Romano, foram preservados e traduzidos para o árabe em centros de conhecimento como Bagdá, Córdoba e Damasco. Posteriormente, essas traduções foram recuperadas no Ocidente, especialmente durante o Renascimento, influenciando o pensamento europeu.

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