“Os brancos se dizem inteligentes. Não o somos menos. Nossos...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q3157232 Conhecimentos Gerais
“Os brancos se dizem inteligentes. Não o somos menos. Nossos pensamentos se expandem em todas as direções e nossas palavras são antigas e muitas. Elas vêm de nossos antepassados. Porém, não precisamos, como os brancos, de peles de imagens para impedi-las de fugir da nossa mente. Não temos de desenhá-las, como eles fazem com as suas. Nem por isso elas irão desaparecer, pois ficam gravadas dentro de nós. Por isso nossa memória é longa e forte. O mesmo ocorre com as palavras dos espíritos xapiri, que também são muito antigas. Mas voltam a ser novas sempre que eles vêm de novo dançar para um jovem xamã, e assim tem sido há muito tempo, sem fim.”

(KOPENAWA, Davi. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. Coautoria de Bruce Albert. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2015. P. 75.)

De acordo com o texto, é correto afirmar sobre os yanomamis que
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Alternativa correta: A

Tema central

Trata-se de oralidade e memória cultural entre povos indígenas (especificamente os yanomami). O exame pede identificar, a partir do trecho, como o conhecimento e a memória são preservados e transmitidos aos jovens. Esse assunto é frequente em provas que cobrem questões sociais e culturas indígenas.

Resumo teórico

Em sociedades orais, a transmissão de saberes ocorre sobretudo por meio de discursos, rituais e performances (contos, cantos, danças). A memória coletiva é reforçada por repetição ritual e pela autoridade dos anciãos/xamãs. Fontes úteis: Kopenawa (A queda do céu, 2015) que descreve a tradição yanomami; e a Convenção da UNESCO (2003) sobre patrimônio cultural imaterial, que reconhece a oralidade e práticas rituais como vetores de transmissão cultural.

Justificativa da alternativa A

O texto afirma que as palavras vêm dos antepassados, ficam “gravadas dentro de nós”, e que as palavras dos espíritos xapiri voltam a ser novas quando dançam para um jovem xamã. Esses trechos indicam claramente que a oralidade é central para preservar a memória e transmitir conhecimento às novas gerações. Logo, A está em consonância literal com o enunciado.

Análise das demais alternativas

B — Incorreta. Afirma que a memória estaria gravada em imagens desenhadas em peles; o texto contrapõe isso: diz que “não precisamos, como os brancos, de peles de imagens” — ou seja, os yanomami NÃO usam esse suporte.

C — Incorreta. Diz que brancos e yanomamis consideram passado e presente do mesmo modo. O trecho faz contraste cultural explícito: os brancos “se dizem inteligentes” e recorrem a imagens externas; os yanomami têm memória viva internamente. Há, portanto, diferença cultural.

D — Incorreta. Afirma perda das palavras/imagens dos espíritos com a chegada dos portugueses — afirmação não sustentada no trecho. Pelo contrário, o texto ressalta que as palavras dos xapiri continuam vivas e renovam-se nos rituais.

Dicas de prova

Procure por palavras-chave do texto (ex.: “gravadas”, “voltam a ser novas”, “jovem xamã”) e pelo contraste lógico entre ideias (marcadores como “porém”, “como” indicam comparação). Desconfie de alternativas que acrescentem fatos não mencionados ou invertam o sentido explícito do texto.

Referências: Kopenawa, D. (2015). A queda do céu; UNESCO (2003) — Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Letra A é o gabarito.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo