As dificuldades que os EUA enfrentaram na resolução de probl...

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Ano: 2010 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE - 2010 - UNB - Vestibular 2° Semestre 2010 - Primeiro Dia |
Q216152 Geografia
Os Estados Unidos da América (EUA) são uma grande
e velha república onde ainda se aplica a pena de morte. Na prática
judiciária, esse recurso põe a descoberto todas as injustiças e
mazelas da sociedade: a desigualdade social, uma vez que são os
menos favorecidos e os mais marginalizados que povoam os
pavilhões da morte nas prisões americanas; a desigualdade
financeira, pois, no sistema judiciário americano, somente os ricos
ou mafiosos têm os meios de aceder a serviços de advogados
especializados, capazes de enfrentar um ministério público
poderoso e uma polícia eficiente; a desigualdade racial, já que,
nos casos hediondos — em que o horror do crime provoca, no
público e em alguns jurados, pulsão de ódio e de vingança —, o
racismo, que, no cotidiano, se disfarça, pode, ali, manifestar-se.
Não é irrelevante o fato de que, nos pavilhões da morte, o número
de negros ou de latinos é proporcionalmente bem superior à sua
representação na população americana.

Robert Badinter. Contre la peine de mort. Écrits 1970-2006.
Paris: Fayard, 2006, p. 19-21 (tradução com adaptações).

Tendo o texto acima como referência e considerando os múltiplos
aspectos que ele suscita, julgue os próximos itens.

As dificuldades que os EUA enfrentaram na resolução de problemas de produção de bens de consumo explicam, do ponto de vista econômico, a presença de população de origem africana e latina nesse país. Desde o final do século XVIII, já se observara a necessidade de ampliação da oferta de mão de obra para a indústria estadunidense.
Alternativas

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Alternativa correta: E — Errado

Tema central: compreensão das causas históricas da presença de afrodescendentes e de latino-americanos nos EUA — distinguir entre trabalho escravo colonial/plantation e fluxos migratórios ligados à industrialização.

Resumo teórico e justificativa: a afirmação erra por causa histórica e por linha do tempo. A presença de população de origem africana decorre, majoritariamente, do comércio atlântico de escravos e do sistema de plantation (algodão, tabaco, açúcar) desde os períodos coloniais e sobretudo nos séculos XVIII–XIX, ou seja, vinculada à agricultura escravocrata, não a "problemas de produção de bens de consumo" industriais. A industrialização norte‑americana em larga escala ocorreu principalmente ao longo do século XIX; a oferta de mão de obra industrial veio, em grande parte, de imigrações europeias e asiáticas, não da importação direta de africanos escravizados para trabalho fabril.

Quanto à população latina, seus fluxos importantes para os EUA são fenômenos dos séculos XIX–XX, motivados por fatores variados (requerimento de mão de obra em agricultura, ferrovias, mineração, e depois indústria), acordos laborais e proximidade geográfica — não uma única explicação ligada a “dificuldades na produção de bens de consumo” desde o século XVIII.

Estratégia de prova: ao analisar enunciados históricos, cheque: (1) quem são os agentes (escravizados vs imigrantes livres); (2) qual setor econômico (plantation agrícola × indústria fabril); (3) cronologia (século XVIII vs XIX–XX). Se houver desalinho entre esses elementos, a proposição tende a ser incorreta.

Fontes resumidas para leitura: Edward E. Baptist, The Half Has Never Been Told (sobre escravidão e economia); Cambridge Economic History of the United States; estudos de migração (ex.: trabalhos de Douglas S. Massey).

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