Fomos em busca dos homens fugidos de nosso povoado e descobr...
(Egito romano, em 332 d.C.)
... os colonos não têm liberdade para abandonar o campo ao qual estão atados por sua condição e seu nascimento. Se dele se afastam em busca de outra casa, devem ser devolvidos, acorrentados e castigados.
(Valentiniano, em 371 d.C.)
Os textos mostram a
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Resposta correta: E
Tema central: trata-se da política agrária no Baixo Império Romano (séc. IV), em especial das medidas que vinculavam camponeses livres ao solo (coloni) e das dificuldades do poder central em aplicar plenamente essa política diante da força dos grandes proprietários.
Resumo teórico: a partir da crise do séc. III houve tendência a fixar a população rural no campo para garantir a arrecadação de impostos e a estabilidade social. Leis imperiais (reunidas depois no Codex Theodosianus) regulavam a condição dos coloni, limitando a mobilidade dos trabalhadores livres. Porém, o controle efetivo do Estado sobre grandes domínios locais era limitado: senhores e funcionários locais muitas vezes agiam por conta própria.
Justificativa da alternativa E: os dois textos mostram precisamente isso. O relato do Egito evidencia a impossibilidade prática de o Estado ou seus representantes chegarem a um senhorio (havia violência e autonomia local). A lei de Valentiniano (371) evidencia a política estatal de prender/retornar os camponeses que fugissem — isto é, o governo adotou formalmente a fixação dos pobres no campo, mas os documentos também mostram a impotência prática do Estado para controlar totalmente essa política. Assim, a alternativa E sintetiza a adoção da medida e a limitação de sua aplicação.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta: afirma que o Império transformou escravos em colonos; na verdade, os coloni eram, em grande parte, camponeses livres ou ligados por obrigações, não uma simples conversão de escravos em trabalhadores livres vinculados.
B — incorreta: embora houvesse conflitos, os trechos não enfatizam uma luta de classes ampla pela posse da terra nem a completa incapacidade do Estado de controlar as terras após a crise; mostram antes medidas legais e limites práticos do poder central.
C — incorreta: sugere que o governo dirigiu transformações das grandes unidades escravistas em unidades menores com trabalho servil. Não há prova, nos trechos, de uma política deliberada do governo para fragmentar unidades produtivas; a ênfase é na fixação de trabalhadores.
D — incorreta: vincular camponeses ao campo para formar um contingente militar não é o foco explícito dos trechos; a motivação documentada é fiscal e de controle social, não a garantia de camponeses-soldados.
Fonte e leitura recomendada: leis do período reunidas no Codex Theodosianus (séc. IV) e obras de síntese sobre o Baixo Império, como A. H. M. Jones, The Later Roman Empire — são leituras úteis para aprofundar.
Dica de prova: foque em palavras-chave do enunciado (ex.: “não têm liberdade”, “devem ser devolvidos”), compare intenção legal e prática efetiva — isso ajuda a distinguir alternativas que confundem política formal com controle real.
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Comentários
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O governo romano adotou uma política de fixação dos pobres no campo? Pelo que eu saiba, eles fugiram para o campo, com a crise do Baixo Império Romano. Foram recebidos pelos generais, donos de terra, após a fragmentação e a anarquia militar. Foi algo informal, e não governamental.
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